Gilmar Mendes lança críticas severas a André Mendonça, chamando-o de “boneco de campanha” e “pixuleco eleitoral” em meio a divergências sobre o caso Master.
O ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), elevou o tom das críticas a seu colega André Mendonça, utilizando termos contundentes como “boneco de campanha” e “pixuleco eleitoral”. As declarações foram feitas em resposta a ações de Mendonça no âmbito da investigação do caso Master, que envolvem o procurador-geral da República, Paulo Gonet.
A tensão entre os ministros parece ter se intensificado após a divulgação de um relatório de investigação do banco Master, sob relatoria de Mendonça. Neste relatório, surgiram diálogos que mencionam o nome do chefe da Procuradoria-Geral da República (PGR), Paulo Gonet.
Em meio às discussões sobre a investigação, Gilmar Mendes publicou um texto em defesa de Gonet, ressaltando sua “reputação ilibada e vida pública de lisura insuspeita”. Mendes criticou a exposição do procurador-geral, que, segundo ele, teve sua honra “injustamente manchada” por conversas sigilosas que não continham ilícitos.
Críticas à Exposição de Paulo Gonet no Caso Master
Gilmar Mendes questionou a necessidade de expor Paulo Gonet, especialmente após o próprio relator, André Mendonça, ter admitido em plenário que não havia nada de ilícito contra o procurador-geral. “Quem atesta a honra de alguém só depois de tê-la arrastado pela praça pública não está corrigindo um erro: está confessando que ele era evitável”, afirmou Mendes.
O ministro do STF ressaltou que a lisura de Gonet é um fato reconhecido por todos os espectros políticos e sociais, independentemente de concordâncias ou discordâncias. A exposição, portanto, foi vista como desnecessária e prejudicial.
Acusação de Motivação Política e Benefício Eleitoral
A crítica mais contundente de Gilmar Mendes veio com a acusação de que André Mendonça agiu com clara intenção de obter lucros políticos. “A intenção de lucrar politicamente com o episódio ficou escancarada quando o relator fez publicar vídeo nas redes sociais agradecendo o apoio popular”, declarou Mendes.
Para Mendes, a atitude de Mendonça, ao publicar um vídeo agradecendo apoio após admitir a falta de fundamento contra Gonet, demonstra que ele não age como um magistrado imparcial. “Quem age assim não é magistrado imparcial: é boneco de campanha, um pixuleco eleitoral”, sentenciou Gilmar Mendes, sugerindo que as ações de Mendonça visavam beneficiar a candidatura de Flávio Bolsonaro.
O Caso Master e as Menções ao PGR
A investigação do banco Master, que motivou as declarações, envolve diálogos onde o advogado Ciro Soares encaminha mensagens atribuídas a Paulo Gonet para Daniel Vorcaro, ex-dono do Master. Em outros trechos, Vorcaro pede a Alexandre de Moraes que acione Gonet e o chefe da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, para barrar uma operação contra a instituição financeira.
Na sessão do STF de terça-feira (15), convocada para discutir as menções a Alexandre de Moraes no caso, Paulo Gonet negou qualquer proximidade com Daniel Vorcaro, reforçando sua posição de independência e lisura.
Repercussão das Declarações de Gilmar Mendes
As declarações de Gilmar Mendes geraram grande repercussão no meio jurídico e político. A referência a “boneco de campanha” e “pixuleco eleitoral” remete a termos que o próprio Mendes utilizou anteriormente para criticar Alexandre de Moraes em relação ao mesmo caso, evidenciando uma profunda divisão e tensão dentro do STF.
A controvérsia levanta debates sobre a imparcialidade de magistrados e a influência de fatores políticos em decisões judiciais, especialmente em um período pré-eleitoral. A defesa da reputação de Paulo Gonet por parte de Mendes sublinha a importância da credibilidade das instituições públicas.