Aposta equivocada na Inteligência Artificial custa US$ 50 bilhões à gestora Polen Capital
A gestora de investimentos Polen Capital, sediada na Flórida, protagonizou um dos maiores erros de cálculo recentes do mercado financeiro. Ao optar por ignorar a Nvidia, a fabricante de chips que se tornou o motor do avanço da Inteligência Artificial (IA), e manter posições em empresas tradicionais de software, a empresa viu seu patrimônio derreter em quase 50 bilhões de dólares em um espaço de quatro anos.
Essa perda representa uma queda vertiginosa de 60% nos ativos sob gestão desde o pico de 2021. O caso serve como um aviso claro para os fundos globais sobre o custo de ignorar a disrupção tecnológica. Conforme informação divulgada pela fonte, a decisão da Polen Capital contrariou a forte tendência de Wall Street.
Enquanto grande parte dos investidores mundiais corria para capitalizar a revolução da IA, a equipe de gestão da Polen Capital manteve-se cética. Em junho de 2023, a empresa chegou a enviar uma nota aos clientes afirmando que todo o potencial de valorização da Nvidia já estava refletido no preço das ações.
Aposta contra a Nvidia e o colapso do fundo principal
A partir desse momento, as ações da fabricante de semicondutores dispararam quase 400%. Em contrapartida, o fundo principal da gestora, o Polen Growth Fund, que preferiu concentrar seus recursos em tecnologias de software em nuvem (SaaS) como a Adobe e a Salesforce, registrou perdas severas. O fundo principal, que chegou a gerir 14 bilhões de dólares, encolheu 86%, operando hoje com menos de 2 bilhões de dólares.
Os resultados colocaram o fundo nas últimas posições dos rankings de rentabilidade da categoria. Face aos resultados, gigantes bancários como o Morgan Stanley retiraram a gestora de suas listas de recomendações principais. A insistência em modelos de avaliação tradicionais diante de mudanças tecnológicas massivas pode se transformar em um erro de milhares de milhões de dólares na era da Inteligência Artificial.
Crise interna, cortes de pessoal e fuga de executivos
O impacto financeiro rapidamente se transformou em uma crise de liderança e estrutura interna. Perante a recusa prolongada do comitê de investimentos em rever sua posição sobre a IA, os clientes começaram a retirar o capital em massa a partir de 2023. A debandada de investidores forçou o CEO, Stan Moss, a implementar medidas drásticas.
Cerca de 50% da força de trabalho foi dispensada nos últimos dois anos, resultando no corte de aproximadamente 100 postos de trabalho. Além disso, vários diretores seniores, incluindo os responsáveis pelas áreas de operações, conformidade e finanças internacionais, abandonaram a empresa, evidenciando a gravidade da situação.
Capitulação tardia e mudança de estratégia
Foi apenas no final de 2025, depois de ver os concorrentes acumularem fortunas com a infraestrutura de IA, que a liderança da Polen Capital admitiu o erro de previsão. A gestora alterou sua estratégia e começou finalmente a comprar ações ligadas ao setor de IA, reestruturando a carteira do seu fundo principal com posições em empresas como a Microsoft e a Broadcom.
A reviravolta da gestora da Flórida expõe a nova realidade dos mercados globais. A manutenção de posições conservadoras em detrimento da adoção de novas tecnologias, como a Inteligência Artificial impulsionada por empresas como a Nvidia, demonstrou ser um caminho arriscado e custoso para os investidores que não acompanharam a evolução do mercado.
