Tempestades prometem dissipar fumaça de incêndios no Canadá, aliviando a qualidade do ar nos EUA para a final da Copa do Mundo.
A forte fumaça proveniente dos incêndios florestais que assolam o Canadá e que cobriu grande parte do nordeste dos Estados Unidos nos últimos dias deve perder sua intensidade. A expectativa é que a atmosfera se torne mais limpa antes da grande final da Copa do Mundo, que ocorrerá neste domingo, 19 de junho, em East Rutherford, Nova Jersey.
Meteorologistas indicam que a passagem de uma frente de tempestades tem o potencial de limpar consideravelmente a atmosfera, diminuindo a concentração de partículas poluentes na região do MetLife Stadium, local da partida decisiva entre Espanha e Argentina. Essa previsão ameniza as incertezas que pairavam sobre o evento, geradas pela névoa densa que acinzentou o céu e motivou alertas de qualidade do ar em diversos estados americanos.
Apesar da melhora esperada, especialistas alertam que indivíduos mais sensíveis à poluição atmosférica ainda podem sentir os efeitos da fumaça residual. Conforme divulgado pela AccuWeather, a frente fria prevista para este sábado deve remover a parte mais densa da fumaça, deixando apenas uma névoa leve, sem impacto relevante para a realização da partida.
Melhora Prevista na Qualidade do Ar
Segundo Jeff Berardelli, meteorologista-chefe da emissora WFLA-TV, a chuva prevista tem o potencial de “varrer a atmosfera”, resultando em uma melhora substancial na qualidade do ar antes do início da final. A expectativa é que o Índice de Qualidade do Ar (AQI) caia de uma categoria considerada insalubre para grupos sensíveis para o nível “moderado”, que representa baixo risco para a maioria da população.
Adicionalmente, a previsão para o dia do jogo aponta para uma temperatura agradável em torno de 27°C, com baixa umidade e ventos fracos, condições ideais para a realização do evento esportivo. Mesmo com a melhora esperada, a fumaça ainda era visível na região do estádio no sábado, e a Espanha chegou a interromper seu último treino ao ar livre devido ao mau tempo, que também gerou alertas de enchentes repentinas em partes de Nova Jersey.
Incêndios Continuam Fora de Controle no Canadá
Enquanto a qualidade do ar tende a melhorar na costa leste dos Estados Unidos, os incêndios florestais permanecem ativos e desafiadores em diversas províncias canadenses. Dados do Sistema Canadense de Informações sobre Incêndios Florestais revelam que centenas de focos continuam queimando intensamente.
Em Ontário, a área consumida por quase 200 incêndios já supera o total registrado em toda a temporada do ano passado. Na Colúmbia Britânica, o número de focos disparou após milhares de raios atingirem a província na sexta-feira. A Nova Escócia e o noroeste de Ontário também enfrentam grandes focos, que forçaram a evacuação de comunidades inteiras.
Causas e Repercussões Climáticas
Meteorologistas atribuem a rápida propagação do fogo a condições de calor extremo, seca prolongada e baixa umidade, um cenário que, segundo especialistas, está sendo agravado pelas mudanças climáticas. A situação gerou trocas de farpas políticas, com o ex-presidente Donald Trump criticando o ar “sujo, poluído e insalubre” vindo do Canadá e ameaçando impor tarifas.
O primeiro-ministro canadense, Mark Carney, respondeu que as mudanças climáticas são uma responsabilidade compartilhada, inclusive pelos Estados Unidos. O premiê de Ontário, Doug Ford, classificou as declarações de Trump como “absolutamente inaceitáveis”, lembrando a ajuda canadense em desastres anteriores nos EUA.
Perspectivas Futuras e Riscos Residuais
Apesar da melhora prevista para a final da Copa do Mundo, os especialistas reforçam que os incêndios no Canadá estão longe de serem controlados. Enquanto as chamas persistirem, a fumaça tem o potencial de retornar a diferentes regiões da América do Norte, dependendo das mudanças nos padrões de vento. A situação reforça a urgência de ações conjuntas e eficazes para combater os incêndios e mitigar os efeitos das mudanças climáticas.