Porto Velho sob névoa tóxica: Incêndios no Amazonas impactam qualidade do ar e revelam seca extrema
A capital de Rondônia, Porto Velho, amanheceu envolta em uma densa camada de fumaça nesta terça-feira (13). A poluição atmosférica é resultado direto dos incêndios florestais que assolam o estado vizinho do Amazonas. Ventos fortes na região foram os responsáveis por transportar essa massa de fumaça, atingindo diretamente a qualidade do ar em Porto Velho.
A situação é alarmante, com o Índice de Qualidade do Ar (IQA) atingindo níveis preocupantes. Segundo a IQAir, empresa suíça especializada em monitoramento da poluição, Porto Velho registrou um IQA de 120, classificado como “Não saudável para grupos sensíveis”. Isso significa que pessoas com problemas respiratórios, idosos e crianças estão particularmente vulneráveis aos efeitos da má qualidade do ar.
Os dados sobre os incêndios no Amazonas são estarrecedores. Nos primeiros dez dias de outubro, o estado registrou impressionantes 1.380 focos de incêndio. Este número representa um aumento de 271% em comparação com o mesmo período do ano anterior, segundo informações do Painel do Fogo, do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam). Satélites do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) confirmam o Amazonas como epicentro da fumaça que se espalha para áreas vizinhas, com Porto Velho sendo uma das mais afetadas.
Seca no Rio Madeira e impacto social
Paralelamente à crise de incêndios, Porto Velho enfrenta outra adversidade: a seca severa do rio Madeira. A estiagem prolongada transformou trechos do rio em verdadeiras “praias gigantes”, onde antes havia água. Esse cenário dramático afetou diretamente a vida de mais de 22 mil pessoas na capital rondoniense, que agora se veem impactadas pela falta d’água e pelas consequências econômicas e sociais da seca.
Amazonas em estado de emergência e ações federais
Diante da gravidade da situação, a Prefeitura de Manaus declarou estado de atenção em 24 de setembro, classificação que se mantém. O Governo Federal, por sua vez, reconheceu a situação de emergência em 36 municípios do Amazonas. Para combater as chamas, aeronaves e helicópteros foram mobilizados, atuando tanto na Região Metropolitana de Manaus quanto no interior do estado.
Combate intensificado com apoio aéreo
As ações de combate aos incêndios foram reforçadas com o apoio de aeronaves do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Somente na segunda-feira (12), foram lançados mais de 10 mil litros de água sobre focos de incêndio na Região Metropolitana de Manaus, demonstrando a urgência e a dimensão do problema enfrentado pela região amazônica.