França se opõe à aplicação provisória do acordo UE-Mercosul antes de análise jurídica europeia
O recém-assinado acordo de livre comércio entre a União Europeia e o Mercosul enfrenta fortes resistências internas no bloco europeu. A França criticou veementemente a possibilidade de o tratado entrar em vigor de forma provisória, antes mesmo de ser avaliado pelo Tribunal de Justiça da União Europeia (TJUE).
A posição francesa considera inaceitável que a Comissão Europeia ignore a decisão do Parlamento Europeu de submeter o texto à revisão judicial. Para Paris, uma aplicação antecipada desrespeitaria as regras democráticas da UE, especialmente após a votação no parlamento.
Enquanto isso, a Alemanha adota um caminho oposto, defendendo a implementação do acordo para salvaguardar a credibilidade internacional da União Europeia. A ministra da Economia alemã ressaltou a importância de honrar os compromissos assumidos e manter a confiança no comércio global. As informações são do Parlamento Europeu e do governo francês.
Impasse no Tribunal de Justiça da UE
Na última quarta-feira, o Parlamento Europeu aprovou, por uma margem apertada de 334 votos a favor contra 324, o envio do texto do acordo UE-Mercosul ao Tribunal de Justiça da União Europeia. A corte terá a incumbência de verificar se o tratado está em conformidade com as normas e os fundamentos jurídicos do bloco.
Este passo tem o potencial de atrasar significativamente a entrada em vigor definitiva do acordo, que foi assinado no sábado anterior. A análise judicial pode levar vários meses para ser concluída. Durante esse período, a Comissão Europeia ainda detém a opção teórica de implementar o acordo provisoriamente, o que se tornou o principal ponto de atrito político.
Caso o TJUE identifique quaisquer incompatibilidades no texto, o acordo precisará passar por ajustes, o que, segundo a agência France Presse, pode postergar sua aprovação final em pelo menos seis meses. Sem as devidas correções, o tratado não poderá entrar em vigor oficialmente. Se a corte não encontrar problemas, o processo retornará ao Parlamento Europeu para uma nova votação.
Alemanha defende o acordo para credibilidade internacional
Em contrapartida à postura francesa, a Alemanha manifestou apoio à continuidade do acordo UE-Mercosul. O Ministério da Economia alemão enfatizou que a assinatura do tratado representa um sinal importante para o cenário mundial, reforçando a imagem da UE como um parceiro confiável no comércio internacional.
A ministra da Economia alemã, Katherina Reiche, destacou em suas redes sociais que é fundamental que a União Europeia honre o compromisso firmado. A manutenção da credibilidade é vista como essencial para a posição do bloco no comércio global em um momento de incertezas.
O Acordo UE-Mercosul: um marco histórico
O acordo, celebrado entre a União Europeia e os países do Mercosul (Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai), foi classificado como um marco histórico pelo presidente do Paraguai, Santiago Peña, que detém a presidência temporária do bloco sul-americano. O pacto visa fortalecer o comércio internacional, o diálogo e a cooperação entre as nações.
Com a união de mais de 700 milhões de consumidores, o acordo estabelece a maior área de livre comércio do mundo. O texto prevê a eliminação de tarifas em mais de 90% das trocas comerciais entre os dois blocos econômicos, prometendo impulsionar as relações comerciais e a integração regional.