Flávio Bolsonaro evita definir voto sobre escala 6×1 e propõe “liberdade” para trabalhador
O senador Flávio Bolsonaro (PL), que concorre à Presidência, optou por não revelar sua posição sobre o fim da escala 6×1 no Senado. No entanto, ele reiterou seu apoio a uma proposta que difere daquela defendida pelo governo Lula (PT), enfatizando que o trabalhador deve ter a autonomia para escolher sua própria jornada de trabalho.
As declarações foram feitas durante entrevista ao programa Domingo Espetacular, da Record, exibida neste domingo (30). Ao ser questionado sobre como votaria caso a proposta fosse analisada em setembro, Flávio Bolsonaro não cravou seu posicionamento, mas reforçou a defesa de um modelo alternativo.
“O que a gente está defendendo é a liberdade. Você vai ter todos os seus direitos trabalhistas garantidos como estão na Constituição Federal. Mas vai trabalhar quantas horas você quiser, você vai montar a sua escala de trabalho”, declarou o senador. “Essa é a alternativa que nós vamos oferecer, que é a liberdade para o trabalhador escolher a sua jornada de trabalho.”
Argumentos contra a proposta do governo
Flávio Bolsonaro utilizou casos recentes, como os pedidos de recuperação judicial de grandes empresas como Casas Bahia e Habib’s, para fundamentar sua crítica à proposta do governo. Segundo ele, esses exemplos evidenciam um “ambiente muito hostil para criação de empregos” no Brasil atualmente.
A proposta que visa o fim da escala 6×1 sem a redução salarial é uma das principais bandeiras da campanha de reeleição do presidente Lula. O texto, que já foi aprovado na Câmara dos Deputados no primeiro semestre, estava parado no Senado, mas ganhou força nos últimos dias, com a expectativa de que seja analisado nesta semana.
O avanço da pauta foi consolidado após uma reunião entre o presidente Lula e os presidentes da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), e do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). Na última quinta-feira (27), o senador Omar Aziz (PSD-AM) apresentou o relatório da Proposta de Emenda à Constituição (PEC), alinhado ao governo e mantendo o texto aprovado pela Câmara em maio, visando facilitar a promulgação antes das eleições.
Oposição e PECs alternativas
A oposição, por outro lado, protocolou 14 emendas para modificar a PEC aprovada pela Câmara. Uma das sugestões apresentadas pela oposição propõe manter a jornada de 44 horas semanais na Constituição, deixando qualquer redução para negociação coletiva ou contrato por hora, um modelo similar ao defendido por Flávio Bolsonaro. A bancada bolsonarista também apresentou uma PEC que estabelece um novo regime de trabalho, com pagamento por hora trabalhada.
Em outro ponto da entrevista, Flávio Bolsonaro foi questionado sobre a apresentação de documentos referentes ao financiamento do filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. Ele reiterou respostas anteriores, afirmando que não há nada de errado em buscar patrocínio privado para um filme particular e que os detalhes seriam prestados pela própria produtora do longa.
Anistia e STF no radar de Flávio Bolsonaro
Ao ser questionado sobre a possibilidade de indultar seu pai, que está em prisão domiciliar, Flávio Bolsonaro criticou o Supremo Tribunal Federal (STF) em relação ao julgamento do 8 de Janeiro, classificando o processo como uma “grande farsa” e uma perseguição. Ele afirmou que, se eleito, trabalhará pela aprovação da anistia aos envolvidos no 8 de Janeiro ainda este ano e, caso não haja tempo, concederá indulto aos condenados.
Jair Bolsonaro foi condenado pelo STF a 27 anos e 3 meses de prisão por tentativa de golpe de Estado. O ex-presidente foi apontado como o líder de uma trama golpista que visava impedir a posse de Lula e mantê-lo no poder. Flávio Bolsonaro também comentou a possibilidade de seu pai ocupar um cargo em um eventual governo, afirmando que dependeria da decisão de Jair Bolsonaro, mas que ele o considera um conselheiro.
Flávio Bolsonaro também abordou a composição do STF, sugerindo que o próximo presidente deveria ter a prerrogativa de indicar ao menos quatro ministros, considerando a vaga ainda não preenchida e a aposentadoria de Luís Roberto Barroso. Ele adiantou que seus indicados seriam “patriotas”, contra o aborto e contra as drogas, e que não usariam a caneta para fazer injustiça, visando resgatar a segurança jurídica e a credibilidade da corte.