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Feminicídios no AM: Vítimas acima de 35 anos são maioria e arma branca lidera métodos, revela SSP

Feminicídios no AM: Vítimas acima de 35 anos são maioria e arma branca lidera métodos, revela SSP

Feminicídios no Amazonas: Mulheres com mais de 35 anos são as principais vítimas, arma branca é o método mais comum

Entre janeiro e maio de 2026, o Amazonas registrou nove casos de feminicídio. Deste total, impressionantes 78% das vítimas tinham mais de 35 anos. A Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM) divulgou os dados que acendem um alerta sobre a violência contra a mulher no estado.

A análise detalhada dos casos revela que a arma branca, como facas, foi utilizada em metade das ocorrências. Especialistas apontam que a facilidade de acesso a esses objetos no ambiente doméstico contribui para que se tornem instrumentos frequentes em crimes de feminicídio, representando uma violência mais íntima e direta.

Esses dados, compilados a partir de boletins de ocorrência e laudos do Instituto Médico Legal (IML), também levantam a preocupação com a possibilidade de subnotificação de casos, especialmente de tentativas de feminicídio, que muitas vezes não chegam ao conhecimento das autoridades. A informação foi divulgada pelo g1.

Arma branca: um reflexo da violência doméstica

Dos nove feminicídios registrados no período, quatro foram cometidos com arma branca. Outros dois casos envolveram agressões físicas, e em mais dois, o método utilizado não foi identificado. A presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB-AM, Alessandrine Silva, destaca que o uso da faca em feminicídios evidencia uma violência direcionada e carregada de ódio e misoginia.

“Essa arma branca, a faca, que é doméstica e está ali de fácil acesso, é também esse objeto que esse violentador vai depositar todo o ódio e violência que ele obtém contra essa mulher. E aí a gente fala da misoginia embutida nessas violências”, afirmou Silva.

Subnotificação e desafios para romper o ciclo de violência

A advogada criminalista Natividade Maia alerta para a subnotificação de feminicídios, especialmente em casos de tentativas. Ela explica que muitas agressões ocorrem no âmbito privado, e a tentativa de resolver a situação sem envolver autoridades pode mascarar a real dimensão do problema.

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Fatores como dependência econômica do agressor, crenças religiosas e a falta de alternativas de moradia para mulheres com filhos são citados como obstáculos significativos para que as vítimas consigam romper o ciclo de violência, tornando a saída de relacionamentos abusivos um desafio ainda maior.

Ações integradas e resultados na proteção das mulheres

Em resposta aos dados, a Secretaria de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM) informou que o combate à violência contra a mulher é realizado de forma integrada, envolvendo a Polícia Militar, por meio da Ronda Maria da Penha, a Polícia Civil, o Corpo de Bombeiros e o Departamento de Polícia Técnico-Científica, além de outros órgãos da rede de proteção.

A pasta destacou que nenhuma mulher acompanhada pela Ronda Maria da Penha foi vítima de feminicídio, atribuindo o resultado ao acompanhamento contínuo, fiscalização de medidas protetivas e atendimento humanizado às mulheres em situação de violência. A SSP-AM ainda ressaltou que, apesar de um aumento em relação ao mesmo período de 2025 (seis casos), o número atual de feminicídios permanece abaixo dos picos históricos.

A projeção da SSP-AM é de que o Amazonas encerre 2026 com cerca de 20 feminicídios registrados, mantendo o mesmo total contabilizado no ano anterior.

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