Abraham Weintraub, ex-ministro da Educação de Jair Bolsonaro, anuncia que não votará no segundo turno das eleições, citando a ausência de escolha entre “dois males” e levantando sérias preocupações sobre a integridade de Flávio Bolsonaro, a quem atribui “suspeitas de corrupção”. A decisão do ex-ministro, que reside atualmente nos Estados Unidos, reforça sua posição de abstenção, que já havia se repetido no primeiro turno.
A proximidade de Weintraub com os filhos do ex-presidente durante seu período no Ministério da Educação (MEC) não o impede de expressar suas ressalvas. Ele declara que seu rompimento com o grupo se deu em 2020, com a entrada do chamado “centrão” no governo.
Weintraub enfatiza que, ao apoiar Jair Bolsonaro, não havia as suspeitas de corrupção que pairam sobre Flávio Bolsonaro atualmente. Ele compara sua postura à de não votar em figuras como Paulo Maluf ou Lula, por considerá-los desprovidos de honestidade, e afirma que não mudará essa convicção “depois de velho”.
A declaração do ex-ministro ecoa as investigações em andamento contra Flávio Bolsonaro, que é alvo de apurações por possíveis crimes como lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção. Essas investigações estão conectadas à produção do filme “Dark Horse”, uma cinebiografia sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Investigações contra Flávio Bolsonaro avançam no STF
A decisão que colocou o senador Flávio Bolsonaro sob investigação foi proferida pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), em 22 de julho deste ano. O pedido para que ele se tornasse alvo formal partiu da Polícia Federal (PF), intensificando o escrutínio sobre suas atividades.
Weintraub também expressou sua visão crítica sobre o cenário democrático brasileiro, afirmando que “o Brasil não é uma democracia plena”. Ele fundamenta sua opinião na ausência de voto independente, conforme preconiza o acordo de San José da Costa Rica, e na falta de urnas auditadas de acordo com a lei.
Críticas ao sistema eleitoral e motivações para a saída do MEC
O ex-ministro reitera que sua participação em “coisa errada” é inaceitável, justificando sua abstenção eleitoral. Weintraub, que esteve à frente da pasta da Educação entre abril de 2019 e junho de 2020, foi exonerado após declarações contundentes contra ministros do STF.
Suas falas, incluindo a de que desejava “botar todos esses vagabundos na cadeia, começando no STF”, agravaram a crise entre o governo e o Supremo. Essa situação culminou em sua inclusão no inquérito do STF sobre a divulgação de notícias falsas e ofensas a membros da corte, marcando um capítulo controverso de sua passagem pelo ministério.