Ex-chefe de gabinete de Manaus presa em operação contra facção criminosa; suspeita de movimentar R$ 1,3 milhão para empresa fantasma
A Polícia Civil do Amazonas deflagrou a Operação Erga Omnes, que investiga o envolvimento do chamado ‘núcleo político’ do Comando Vermelho (CV) no estado. Na ação, foi presa Anabela Cardoso Freitas, ex-chefe do gabinete pessoal do prefeito de Manaus, David Almeida (Avante-AM).
Segundo as investigações, Anabela teria sido a responsável por repassar mais de R$ 1,3 milhão em dinheiro vivo para a agência de turismo Revoar. O Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) identificou essa movimentação, que levanta suspeitas de origem ilícita, pois os valores não possuem declaração de procedência.
A polícia aponta que a Revoar funciona como uma empresa fantasma, sem estrutura física ou operacional para o fim que se propõe. Conforme informações divulgadas pelo g1 e pela Rede Amazônica, o caso é um dos desdobramentos da investigação sobre a atuação de uma facção criminosa em Manaus.
Empresa fantasma e suspeitas de lavagem de dinheiro
A agência de turismo Revoar é considerada fantasma pela polícia, pois não possui sede para atendimento, nem site, e não há registros de compra de passagens em companhias aéreas. O único endereço vinculado à empresa é o da residência de seu proprietário, Alcir Queiroga, que também foi preso na operação.
Anabela Freitas é suspeita de movimentar dinheiro sem declaração de origem para uma facção criminosa e de utilizar a agência Revoar para comprar passagens aéreas para membros da prefeitura e seus familiares. O dinheiro vivo, em notas de R$ 20, R$ 50 e R$ 100, era a forma predominante de pagamento.
Passagens para o prefeito e familiares com dinheiro vivo
Em depoimento à polícia, Alcir Queiroga confirmou que Anabela comprava passagens aéreas com dinheiro em espécie. Ele relatou que os valores eram utilizados para viagens do prefeito David Almeida, de seus familiares e de integrantes da cúpula do poder executivo de Manaus.
Queiroga citou como exemplo a compra de passagens para o prefeito em uma viagem de férias ao Caribe durante o Carnaval do ano passado. Na ocasião, Anabela teria adquirido passagens para o prefeito, a primeira-dama Izabelle Fontenelle e outros dois parentes, com um pagamento de aproximadamente R$ 34 mil em dinheiro.
A ex-chefe de gabinete também solicitava passagens para o vice-prefeito Renato Junior e outros servidores da prefeitura. As quantias em dinheiro vivo variavam de R$ 15 mil a R$ 40 mil, muitas vezes emitidas em regime de urgência, segundo depoimento complementar de Queiroga.
Organização criminosa movimentou milhões em atividades ilícitas
A polícia estima que a organização criminosa investigada movimentou cerca de R$ 70 milhões, o que equivale a aproximadamente R$ 9 milhões por ano desde 2018. A atuação da facção envolvia o tráfico de drogas, com a compra de entorpecentes na Colômbia e distribuição para diversas regiões do Brasil.
As investigações apontam que os suspeitos facilitavam a contratação de empresas de fachada nos setores de transporte e logística para auxiliar nas operações criminosas. Os investigados devem responder por crimes como organização criminosa, associação para o tráfico de drogas, corrupção, lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio.
Alcir Queiroga expressou temer por sua vida após seu depoimento, evidenciando a gravidade das denúncias e a periculosidade da organização criminosa.