Guerra contra o Irã consome anos de munições americanas críticas em menos de duas semanas, aponta jornal

Uma análise recente divulgada pelo Financial Times nesta quinta-feira (12) sugere que os Estados Unidos teriam consumido o equivalente a “anos” de seu estoque de munições consideradas críticas em menos de duas semanas de conflito contra o Irã. Essa rápida depleção tem gerado preocupações entre autoridades sobre a capacidade americana de manter uma ofensiva prolongada e recompor seus arsenais.

As informações, obtidas a partir de três fontes familiarizadas com o assunto, indicam que mísseis de longo alcance como os Tomahawk, conhecidos por sua precisão em ataques, estão entre os itens de maior consumo. Uma das fontes descreveu o uso como um “gasto massivo de Tomahawks”, alertando que “a Marinha vai sentir o impacto desse gasto por vários anos”.

Esses relatos contrastam diretamente com a postura oficial da Casa Branca. Na semana passada, o secretário de Defesa, Pete Hegseth, afirmou que os estoques de armas defensivas e ofensivas dos EUA são suficientes para sustentar a campanha contra o Irã pelo tempo necessário. A porta-voz da Casa Branca, Karoline Leavitt, reforçou essa posição nesta quinta-feira, declarando que “os militares dos EUA têm munição, armamentos e estoques mais do que suficientes para atingir os objetivos definidos pelo presidente Trump e além”.

Alto Custo do Conflito e Preocupações com Recomposição de Estoques

O Pentágono revelou ter gasto aproximadamente US$ 11,3 bilhões (cerca de R$ 58,7 bilhões) apenas na primeira semana da guerra contra o Irã. Este valor, divulgado em reunião a portas fechadas com membros do Congresso e reportado pelo The New York Times, pode ser ainda maior, pois não inclui custos associados à mobilização de tropas e equipamentos antes do início dos ataques.

Estimativas anteriores, divulgadas pelo The New York Times e pelo Washington Post, indicavam um gasto de cerca de US$ 5,6 bilhões (aproximadamente R$ 29,1 bilhões) nos dois primeiros dias de bombardeios. A primeira onda de ataques utilizou armamentos como a bomba planadora AGM-154, com custo individual entre US$ 578 mil e US$ 836 mil, embora as Forças Armadas tenham posteriormente anunciado a transição para bombas mais acessíveis, como a Joint Direct Attack Munition (JDAM).

Alertas Anteriores sobre Estoques e o Contexto Geopolítico

Antes do início do conflito, o general Daniel Caine, chefe do Estado-Maior Conjunto, teria alertado o presidente Trump sobre os riscos de baixas e de um conflito prolongado em caso de ataque ao Irã. Segundo o Washington Post, Caine também expressou preocupação com os baixos estoques de munições, já pressionados pelo apoio americano aos conflitos em Israel e na Ucrânia.

Na época, Trump minimizou as preocupações, afirmando que a decisão sobre um eventual bombardeio ao Irã seria de sua exclusiva alçada. O ataque ocorreu cerca de uma semana depois, em 28 de fevereiro, desencadeando respostas iranianas contra território israelense e bases americanas no Oriente Médio.