O complexo mosaico de alianças no Oriente Médio revela os principais parceiros dos Estados Unidos e do Irã, influenciando diretamente os conflitos regionais.
A dinâmica geopolítica do Oriente Médio é marcada por uma intrincada teia de alianças e rivalidades históricas. Os Estados Unidos, com uma presença militar significativa na região, construíram uma rede robusta de parceiros ao longo de décadas. Essa presença se manifesta através de diversas bases militares, indicando a importância estratégica que Washington confere ao Oriente Médio.
Por outro lado, o Irã, desde a Revolução Islâmica de 1979, tem cultivado suas próprias alianças, concentrando-se predominantemente em grupos xiitas. Essas redes de apoio, muitas vezes operando paralelamente às estruturas estatais, desempenham um papel crucial nos equilíbrios de poder regionais. A complexidade dessa rede se acentua quando se considera que mesmo aliados próximos dos EUA podem ter ressalvas quanto a ações militares diretas contra o Irã.
Compreender quem são os aliados de cada potência é fundamental para analisar a estabilidade e os rumos dos conflitos na região. As relações são fluidas, com interesses próprios ditando os posicionamentos de cada ator. Conforme informação divulgada em reportagens sobre o tema, a guerra no Oriente Médio é um movimento em um tabuleiro geopolítico complexo, onde as alianças não são estanques.
Principais Aliados dos Estados Unidos na Região
Israel se destaca como o principal aliado dos Estados Unidos no Oriente Médio, beneficiando-se de um intenso intercâmbio de inteligência, tecnologia militar e armamentos. A relação entre os dois países é profunda e estratégica, visando a segurança mútua e a manutenção da estabilidade regional sob a ótica americana.
A Arábia Saudita, por sua vez, mantém laços históricos estreitos com o Ocidente e os EUA, sendo o mais poderoso país sunita da região. Sua importância religiosa, como guardiã de Meca, confere-lhe um papel de destaque, embora existam divergências abertas com o Irã, de maioria xiita. Os Emirados Árabes Unidos também solidificaram uma forte cooperação militar e econômica com os EUA.
A Jordânia, uma monarquia tradicionalmente aliada das potências ocidentais, abriga uma base americana importante. O Bahrein, um aliado de longa data dos EUA e da Arábia Saudita, é sede da Quinta Frota marítima americana no Golfo Pérsico. O Kuwait é outro parceiro estratégico, com acordos de defesa firmados desde a invasão iraquiana em 1990.
O Egito, embora busque uma postura mediadora, recebe ajuda militar dos EUA desde os anos 1970, um reflexo de sua aproximação com o Ocidente após o reconhecimento de Israel. A presença militar dos EUA na região é vasta, com cerca de 19 bases, sendo a base de Al Udeid no Catar a maior, abrigando aproximadamente 10 mil soldados.
A Rede de Apoio e Influência do Irã
O Irã teceu uma rede de apoio significativa, focada em grupos xiitas e organizações que operam paralelamente aos estados. O Hezbollah, partido libanês xiita com uma poderosa milícia, é um aliado crucial de Teerã, apesar de ter sido enfraquecido por ataques israelenses em 2024. O grupo age em forte aliança com o Irã, enquanto o Líbano se mantém formalmente neutro.
No Iêmen, os rebeldes Houthi, um grupo xiita com apoio militar iraniano, controlam efetivamente o país, embora seu regime não tenha amplo reconhecimento internacional. Os Houthis têm realizado ataques esporádicos contra Israel, evidenciando a extensão da influência iraniana.
O Hamas, um dos raros aliados sunitas do Irã, compartilha com os aiatolás a aversão a Israel, com raízes em uma identidade islâmica comum. O Paquistão, embora não seja considerado parte do Oriente Médio, alinha-se frequentemente a Teerã em momentos de ameaça ao vizinho iraniano.
A Síria e a Complexidade das Mudanças de Aliança
A Síria, sob o regime de Bashar al-Assad, era um dos principais aliados do Irã devido à sua origem xiita. Contudo, com a recente queda de Assad e a ascensão de um novo líder com ligações sunitas, busca-se uma aproximação com o Ocidente e Israel. Essa mudança demonstra a fluidez das alianças na região, com o novo governo sírio abrindo espaço aéreo para ataques israelenses contra o Irã em junho de 2025.
Papéis de Neutralidade e Mediação
Alguns países, como o Catar e Omã, adotam posturas de neutralidade pragmática e buscam atuar como mediadores de conflitos. O Catar, apesar de abrigar a maior base americana na região, mantém canais de comunicação com o Irã. Omã, por sua vez, centraliza sua diplomacia na não confrontação e na mediação, servindo como um canal de diálogo entre rivais.
O Iraque, após a queda de Saddam Hussein, busca equilibrar as forças internas e manter relações com os EUA na área de defesa, ao mesmo tempo em que normaliza laços com o Irã através de políticos xiitas. Essa complexa equação de poder e influência molda o panorama de segurança no Oriente Médio, onde as alianças são tão importantes quanto as rivalidades.