EUA e Irã buscam acordo de paz no Paquistão sob tensão crescente
A agência de notícias iraniana IRNA informou neste sábado (11) que os Estados Unidos e o Irã iniciaram conversas no Paquistão, após progressos em discussões indiretas anteriores. Autoridades de ambos os países apresentaram suas exigências em um possível acordo de paz, um movimento crucial em meio a um conflito que já deixou milhares de mortos e impactou a economia global.
As negociações ocorrem em um cenário complexo, com propostas conflitantes e a continuidade dos ataques, especialmente entre Israel e o Hezbollah no Líbano. A população iraniana demonstra uma mistura de ceticismo e esperança, ciente dos enormes custos da guerra e do longo caminho para a recuperação.
A expectativa é que as conversas, mediadas pelo Paquistão, possam amenizar a crise, mas os desafios são significativos. As exigências de cada lado, a desconfiança mútua e a escalada da violência na região colocam em xeque a possibilidade de um acordo de paz efetivo e duradouro, conforme divulgado pela agência de notícias iraniana IRNA.
Propostas Divergentes e Exigências Cruciais
As delegações americana e iraniana, chefiadas respectivamente pelo vice-presidente JD Vance e pelo presidente do Parlamento Mohammad Bagher Qalibaf, reuniram-se individualmente com o primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif. O Irã apresentou uma proposta que inclui o fim garantido da guerra e de ataques futuros, o encerramento das sanções econômicas, controle sobre o Estreito de Ormuz e a interrupção dos ataques israelenses ao Hezbollah no Líbano.
Por outro lado, os Estados Unidos exigem restrições ao programa nuclear iraniano e a reabertura imediata do Estreito de Ormuz. Essa artéria vital para o suprimento global de energia tem sido um ponto central de discórdia, com o Irã utilizando seu fechamento como principal vantagem estratégica, impactando significativamente os preços do petróleo.
Impacto da Guerra e o Bloqueio do Estreito de Ormuz
A guerra já resultou em um número alarmante de mortes, com pelo menos 3.000 pessoas falecidas no Irã, 1.953 no Líbano, 23 em Israel e mais de uma dezena nos estados árabes do Golfo. O conflito também isolou praticamente o Golfo Pérsico da economia global, provocando um disparo nos preços da energia e danos duradouros à infraestrutura em seis países da região.
O fechamento do Estreito de Ormuz pelo Irã teve um impacto direto nos mercados globais. O preço do barril de petróleo Brent ultrapassou os US$ 94 no sábado, um aumento de mais de 30% desde o início da guerra. Antes do conflito, cerca de um quinto do petróleo mundial passava pelo estreito, mas a situação atual limitou a travessia a apenas 12 navios registrados, em comparação com mais de 100 por dia anteriormente.
Ceticismo e Esperança em Teerã, Tensão nas Negociações
Moradores de Teerã expressaram ceticismo, mas também esperança em relação às conversas. Amir Razzai Far, de 62 anos, comentou que “a paz sozinha não é suficiente para o nosso país, porque fomos atingidos com muita força; houve custos enormes e o povo tem que pagar por isso”. A sensação é que, mesmo com um acordo, a recuperação será um processo longo e árduo.
Representantes de ambos os países alegam ter vantagem estratégica, com o ex-presidente Trump afirmando repetidamente nas redes sociais que o Irã “não tem cartas” para negociar. Ele acusou o Irã de usar o Estreito de Ormuz para extorsão, prometendo sua abertura “com ou sem eles”. Vance, por sua vez, alertou que os EUA estão otimistas, mas “se eles tentarem nos ludibriar, descobrirão que a equipe de negociação não será nada receptiva”.
Negociações Paralelas e Obstáculos para a Paz
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, declarou que Teerã entra nas negociações com “profunda desconfiança” devido a ataques anteriores contra o país durante rodadas de conversas passadas, e afirmou que o país está preparado para retaliar caso seja atacado novamente. Paralelamente, negociações entre Israel e Líbano estão previstas para começar na terça-feira em Washington.
Israel busca que o governo libanês assuma a responsabilidade pelo desarmamento do Hezbollah, conforme um cessar-fogo de novembro de 2024. Contudo, a capacidade do exército libanês de confiscar armas do grupo militante é incerta. A insistência de Israel em não incluir uma pausa na luta contra o Hezbollah nas negociações com o Irã representa uma ameaça à viabilização de um acordo mais amplo.