China nega teste nuclear secreto após acusação dos EUA; tensionamento global sobre armas nucleares aumenta
A China rechaçou veementemente as alegações dos Estados Unidos de que teria realizado um teste nuclear secreto em 2020. A acusação, feita por um alto funcionário do Departamento de Estado americano, baseia-se na detecção de uma suposta “explosão” em um campo de testes chinês. A China classificou a afirmação como “totalmente infundada” e uma manobra política.
A controvérsia surge em um momento de crescente preocupação global com o controle de armas nucleares, especialmente após o fim do tratado New Start, que era o último acordo de limitação de armas nucleares estratégicas entre EUA e Rússia. A troca de acusações entre as duas potências nucleares adiciona mais uma camada de instabilidade ao cenário internacional.
As declarações foram feitas durante um evento no Instituto Hudson, em Washington, nesta terça-feira (17 de fevereiro de 2026). O secretário assistente de Estado dos EUA, Christopher Yeaw, apresentou os argumentos americanos, enquanto a China, por meio de seu porta-voz da embaixada em Washington, Liu Pengyu, defendeu sua posição e criticou os EUA. Acompanhe os detalhes dessa polêmica e as implicações para o desarmamento nuclear.
EUA apontam explosão sísmica como evidência de teste nuclear secreto chinês
Segundo Christopher Yeaw, secretário assistente de Estado dos EUA, uma estação sísmica no Cazaquistão detectou uma “explosão” de magnitude 2,75 em 22 de junho de 2020, no campo de testes de Lop Nor, no oeste da China. Yeaw afirmou ter analisado dados adicionais desde então e declarou que “existe muito pouca possibilidade, eu diria, de que seja algo diferente de uma explosão, uma explosão singular”. Ele também ressaltou que o evento é “completamente inconsistente com um terremoto” e que o registro “é o que se esperaria de um teste explosivo nuclear”.
A estação sísmica PS23, parte do sistema global de monitoramento da Organização do Tratado de Proibição Completa de Testes Nucleares (CTBTO), registrou o evento a cerca de 725 km de distância. A CTBTO informou que a estação captou “2 eventos sísmicos muito pequenos” com 12 segundos de intervalo. No entanto, a organização declarou que, como os eventos estavam muito abaixo do nível detectável para explosões nucleares (a partir de 551 toneladas de TNT), não é possível avaliar a causa com confiança apenas com esses dados.
China nega acusações e critica os EUA
Liu Pengyu, porta-voz da embaixada chinesa em Washington, classificou a afirmação americana como “totalmente infundada”. Ele acusou os Estados Unidos de tentar “fabricar desculpas para retomar” testes nucleares americanos. Segundo Pengyu, a declaração é uma “manipulação política destinada a buscar hegemonia nuclear e evadir suas próprias responsabilidades de desarmamento nuclear”.
O representante chinês instou os EUA a reafirmarem o compromisso dos cinco Estados com armas nucleares de se absterem de testes nucleares. Ele também pediu que os EUA defendam o consenso global contra testes nucleares e tomem “medidas concretas para salvaguardar o regime internacional de desarmamento nuclear e não proliferação”. A China assinou, mas não ratificou, o Tratado de Proibição Completa de Testes Nucleares de 1996, e seu último teste nuclear oficial documentado foi naquele mesmo ano.
Contexto de tensões e projeções de armamento nuclear
A declaração dos EUA ocorre em um período de apreensão sobre o controle de armas nucleares. O fim do tratado New Start em 5 de fevereiro de 2026, que era o último pacto de limitação de armas nucleares estratégicas entre EUA e Rússia, intensifica essas preocupações. A ausência de acordos de limitação de armas entre as maiores potências nucleares do mundo aumenta o risco de uma nova corrida armamentista.
Segundo dados do Pentágono citados por Christopher Yeaw, a China possui atualmente mais de 600 ogivas nucleares operacionais, com projeções de que esse número ultrapasse 1.000 até 2030. Em contraste, os Estados Unidos realizaram seu último teste nuclear subterrâneo em 1992, confiando desde então em simulações computadorizadas avançadas para a verificação de suas ogivas.