Polícia do Amazonas Indica Dez Pessoas por Estupro Coletivo de Adolescente Indígena em Itamarati
A Polícia Civil do Amazonas indiciou dez pessoas investigadas pelo brutal estupro coletivo de uma adolescente indígena de 15 anos. O crime hediondo ocorreu em 18 de setembro, na zona rural de Itamarati, no interior do estado. A investigação, que apura a participação direta nos abusos, o fornecimento de bebidas alcoólicas à vítima e tentativas de acobertar os envolvidos, avança com prisões e buscas por foragidos.
Cinco suspeitos foram indiciados por participação direta nos atos de violência. As demais dez pessoas indiciadas respondem por envolvimento indireto, como o fornecimento de bebidas alcoólicas à jovem e a tentativa de auxiliar outros investigados a escapar da justiça. O caso veio à tona no final de setembro, após uma denúncia formalizada por uma moradora local.
Segundo o delegado Tiago Luís Juvêncio, responsável pela investigação, o caso foi desmembrado em três frentes para uma análise mais aprofundada. A adolescente, vítima deste crime terrível, está recebendo todo o acompanhamento médico e psicológico necessário, além de ter sido matriculada em uma escola na cidade onde está sendo acolhida.
Investigação em Três Frentes e Prisões em Andamento
A investigação policial foi meticulosamente dividida em três frentes principais, conforme detalhou o delegado Tiago Luís Juvêncio. A primeira foca na identificação e responsabilização daqueles que participaram diretamente dos abusos. A segunda investiga quem forneceu bebidas alcoólicas à adolescente, contribuindo para a sua vulnerabilidade. A terceira frente apura as tentativas de obstrução da justiça, envolvendo pessoas que tentaram ajudar os investigados a fugir ou a se ocultar da polícia.
Até o momento, dois investigados estão presos. O primeiro, conhecido como “Zeca Bomba”, foi detido em 9 de outubro na zona rural de Itamarati. O segundo preso é Awano Kanamari, que se apresentou à polícia em 19 de outubro após um período foragido. Ele negou o ato sexual, afirmando ter apenas filmado o crime, mas a vítima o reconheceu como um dos agressores.
Foragidos e Envolvimento Indireto
Apesar dos esforços policiais, dois investigados, Tucuwi Carlinhos dos Santos Kanamari e Kodo Isaias Kanamari, continuam foragidos. As autoridades intensificaram as buscas para localizá-los. Além dos cinco suspeitos de participação direta, outros três foram indiciados por fornecerem bebidas alcoólicas à vítima, incluindo um comerciante que vendeu os entorpecentes. Outros dois indivíduos são suspeitos de tentar acobertar os envolvidos.
A polícia não solicitou a prisão dos envolvidos em crimes de menor potencial ofensivo, cujas penas são inferiores a quatro anos de reclusão. No entanto, todos foram devidamente indiciados. A adolescente, que é de uma comunidade indígena, está sob os cuidados de sua tia, uma liderança local, e recebe acompanhamento especializado.
Apoio à Vítima e Repercussão do Caso
A adolescente vítima do estupro coletivo está recebendo apoio integral, incluindo atendimento médico e psicológico. Ela foi matriculada em uma escola no município onde está sendo acompanhada, buscando garantir sua continuidade educacional e bem-estar. O caso ganhou notoriedade na região após a circulação de vídeos supostamente relacionados à violência em grupos de WhatsApp.
A advogada Inory Kanamari, que acompanha os familiares da adolescente, informou que a própria vítima não registrou a ocorrência inicialmente. A denúncia partiu de uma mulher não indígena que teve acesso às imagens. Exames de corpo de delito confirmaram os abusos sofridos pela jovem. As autoridades continuam trabalhando para elucidar todos os detalhes e garantir a punição dos responsáveis pelo crime.