A maior parte dos trabalhadores jovens e adultos no Brasil deseja o fim da escala 6×1, especialmente se não houver corte no salário. Pesquisa aponta forte desejo por mudanças na jornada de trabalho.
Uma pesquisa recente revela um forte movimento entre os trabalhadores brasileiros mais jovens e de meia-idade em direção ao fim da escala 6×1, que alterna seis dias de trabalho com um de descanso. A modalidade, comum em diversos setores, tem sido criticada por sua intensidade e potencial impacto na qualidade de vida.
O estudo, divulgado pela Nexus – Pesquisa e Inteligência de Dados, indica que a insatisfação com a escala 6×1 é particularmente acentuada entre os brasileiros de até 40 anos. A maioria deles apoia o fim dessa jornada, desde que não haja redução nos vencimentos, sinalizando uma preocupação crescente com o bem-estar e o equilíbrio entre vida pessoal e profissional.
Esses dados sugerem uma mudança de perspectiva sobre o trabalho, onde a flexibilidade e a saúde mental ganham cada vez mais espaço nas prioridades dos profissionais. A pesquisa ouviu milhares de brasileiros em todo o país, consolidando a tendência de busca por novas formas de organizar a rotina laboral.
Jovens da Geração Z e Millennials Lideram o Movimento pelo Fim da Escala 6×1
Entre os jovens de 16 a 24 anos, pertencentes à Geração Z, a pesquisa da Nexus aponta que 82% são favoráveis ao fim da escala 6×1 se a remuneração for mantida. Deste total, 31% defendem a mudança independentemente de qualquer impacto salarial, demonstrando uma forte convicção na necessidade de alteração.
Na faixa etária de 25 a 40 anos, composta pelos millennials, o apoio ao fim da escala 6×1 também é expressivo. Um total de 82% se declara a favor, com 35% apoiando a medida incondicionalmente, e 42% condicionando o apoio à não diminuição dos salários. Essa concordância entre as gerações mais novas reforça a ideia de uma nova cultura de trabalho emergente.
Apoio Diminui com o Avanço da Idade, Mas Ainda é Relevante
À medida que a idade avança, o percentual de aprovação para o fim da escala 6×1 apresenta uma queda. No grupo de 41 a 59 anos, 62% dos brasileiros apoiam a mudança. Entre os maiores de 60 anos, o índice cai para 48%, indicando que as gerações mais velhas podem ter uma percepção diferente sobre a jornada de trabalho tradicional.
Apesar da diminuição, é notável que mesmo nas faixas etárias mais avançadas, uma parcela significativa da população ainda considera a possibilidade de abandonar a escala 6×1. Isso sugere que a discussão sobre a jornada de trabalho é ampla e abrange diversas perspectivas dentro do mercado de trabalho brasileiro.
Mudança de Valores no Mundo do Trabalho
Marcelo Tokarski, CEO da Nexus, destaca um aspecto crucial da pesquisa: a existência de um grupo, embora menor, que apoia o fim da escala 6×1 independentemente do impacto salarial. “Há um grupo menor, mas relevante, que apoia o fim da escala independentemente do impacto salarial, o que sugere uma mudança de valores em relação ao trabalho”, afirma Tokarski.
Essa observação aponta para uma valorização crescente de outros aspectos além da remuneração, como saúde, bem-estar e tempo livre. O desejo de abandonar a jornada 6×1, mesmo com potenciais perdas financeiras, pode indicar uma busca por um estilo de vida mais equilibrado e menos desgastante, refletindo uma transformação cultural no ambiente corporativo.
Média Geral Revela Tendência Nacional
Considerando todas as faixas etárias, a pesquisa da Nexus revela que 63% dos brasileiros defendem o fim da escala 6×1, independentemente da questão salarial. Este dado geral corrobora a força do movimento em prol de jornadas de trabalho mais flexíveis e menos extenuantes em todo o país.
A pesquisa foi realizada com 2.021 pessoas com 16 anos ou mais, em todas as 27 unidades da federação, entre 30 de janeiro e 5 de fevereiro, com margem de erro de 2 pontos percentuais. Os resultados consolidam a discussão sobre a escala 6×1 como um tema relevante para o futuro do trabalho no Brasil.