Embrapa Amapá Tenta ‘Isolar’ Fungo da Vassoura-de-Bruxa em Laboratório Diante do Avanço da Praga no Estado
A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) no Amapá iniciou uma nova e promissora linha de pesquisa em seu Laboratório de Proteção de Plantas. O objetivo é acelerar o desenvolvimento de estratégias de combate à vassoura-de-bruxa, uma praga que tem causado preocupação entre os produtores de mandioca.
A iniciativa ganhou ainda mais urgência após a doença atingir plantações na capital, Macapá, intensificando a necessidade de respostas rápidas. A pesquisa em laboratório busca criar um ambiente controlado para estudar o fungo causador da praga.
A estratégia consiste em isolar o fungo, cultivá-lo e, a partir daí, testar a eficácia de diversos produtos químicos e biológicos. Essa abordagem visa a identificar as soluções mais eficientes antes de aplicá-las diretamente nas lavouras. Conforme informação divulgada pelo g1 AP, os primeiros resultados parciais são esperados para dezembro.
Cuidados Rigorosos no Isolamento do Fungo
O processo de isolamento do fungo causador da vassoura-de-bruxa exige extrema atenção aos detalhes e rigor na higienização. As amostras de plantas infectadas passam por um minucioso processo de esterilização para **evitar contaminações externas** e garantir a precisão dos resultados obtidos em laboratório.
Segundo Cristiane Ramos, chefe-geral da Embrapa Amapá, a instituição já vinha atuando em outras frentes, como o teste de variedades de mandioca com potencial resistência à praga e a avaliação de fungicidas e produtos biológicos. No entanto, o isolamento e cultivo do fungo em ambiente controlado representa um avanço significativo.
“Isso só foi possível devido ao avanço da praga que permitiu que a gente pudesse fazer esse trabalho aqui em Macapá”, explicou Cristiane Ramos, destacando a importância da pesquisa laboratorial.
A Técnica In Vitro para Estudo da Vassoura-de-Bruxa
A técnica in vitro utilizada pelos cientistas da Embrapa envolve a retirada do pecíolo (a haste que liga a folha ao caule) de folhas de mandioca infectadas. Essas amostras são submetidas a sequências de esterilização e, em seguida, isoladas em placas de vidro contendo água e substâncias químicas específicas.
Esse ambiente controlado é projetado para **induzir o fungo a se projetar para fora do tecido vegetal**, permitindo que a equipe monitore o surgimento das primeiras colônias do microrganismo. A analista de laboratório Adriana Bariane detalhou as próximas etapas da pesquisa.
“Vamos acompanhar o crescimento do fungo até termos várias colônias, garantindo que temos o fungo no laboratório, em cultivo em meio sólido, em meio líquido para podermos depois fazermos os testes químicos, testes biológicos”, afirmou Adriana Bariane.
Previsão de Resultados e Busca por Variedades Resistentes
O fungo causador da vassoura-de-bruxa é conhecido por seu crescimento lento, o que implica um ciclo de desenvolvimento em laboratório de aproximadamente 40 dias. A expectativa da Embrapa Amapá é apresentar um balanço parcial das pesquisas até o final de dezembro.
Paralelamente aos testes com defensivos, a equipe de pesquisa também está focada em **identificar pelo menos duas variedades de mandioca** que demonstrem capacidade de se desenvolver de forma produtiva mesmo sob a incidência da doença. Essa linha de pesquisa busca oferecer uma solução mais sustentável a longo prazo.
“Em dezembro nós já vamos ter os nossos primeiros resultados. Já tem variedades com um potencial para se desenvolver mesmo sendo afetada pela praga. Então nós esperamos que a gente vai ter aí pelo menos uma ou duas variedades que mesmo com a ocorrência da praga consigam se desenvolver”, concluiu Cristiane Ramos.
Alerta Máximo no Amapá: Praga Atinge Quase Todo o Estado
A situação da vassoura-de-bruxa no Amapá é crítica, com a praga já confirmada em 15 dos 16 municípios do estado, segundo dados da Agência de Defesa e Inspeção Agropecuária do Amapá (Diagro). O único município onde ainda não houve registro oficial é Vitório do Jari.
Diante da rápida disseminação, uma comitiva de técnicos do Ministério da Agricultura esteve no estado para auxiliar na busca por soluções emergenciais e estratégicas para conter o avanço da doença e **minimizar os prejuízos à produção de mandioca**.