Dia das Mães 2026: Varejo projeta R$ 37,9 bilhões em vendas com 127 milhões de brasileiros nas compras, mas alerta para endividamento e pressão social

O Dia das Mães de 2026 promete ser um dos eventos mais importantes para o varejo brasileiro, com uma movimentação financeira estimada em R$ 37,91 bilhões. A data deve levar aproximadamente 127 milhões de consumidores às lojas, consolidando-se como a segunda maior ocasião de consumo do ano.

Apesar do otimismo nas vendas, um levantamento aponta que muitos brasileiros enfrentam orçamentos apertados. A pesquisa, realizada pela CNDL e SPC Brasil em parceria com a Offerwise Pesquisas, também revela desafios como o endividamento e a forte influência das redes sociais nas decisões de compra.

O estudo, que ouviu consumidores em todas as 27 capitais brasileiras, traz um panorama detalhado dos hábitos e das preocupações financeiras dos brasileiros às vésperas da celebração. Conforme informação divulgada pela CNDL e SPC Brasil, a expectativa é que 78% dos consumidores adquiram ao menos um presente neste Dia das Mães.

Moda e beleza lideram as preferências de presentes, mas itens usados ganham espaço

O segmento de moda desponta como o favorito, com 53% dos consumidores planejando comprar vestuário, calçados ou acessórios. Logo em seguida, vêm os produtos de beleza e perfumes, com 50% das intenções. Chocolates e flores também marcam presença, com 24% cada, enquanto experiências como restaurantes e spas atraem 19%.

Embora a maioria (58%) prefira produtos novos, uma parcela significativa de 37% dos consumidores está aberta a presentear com itens usados em bom estado. Essa abertura pode refletir uma busca por alternativas mais econômicas em um cenário de preços elevados.

Gasto médio e perfil do consumidor: homens lideram desembolso, mães são as principais homenageadas

A pesquisa indica que o gasto médio por consumidor será de R$ 294. Os homens lideram a projeção de desembolso, com uma média de R$ 339, enquanto as mulheres gastarão em média R$ 257. As principais presenteadas serão, sem surpresa, as próprias mães (74%), seguidas pelas esposas (19%) e sogras (15%).

A motivação predominante para a compra é a gratidão pelo carinho e esforço das mães, citada por 43% dos entrevistados. Outros 27% veem o presente como um gesto simbólico importante para a data, reforçando o valor afetivo por trás da troca.

Inflação e orçamento apertado: consumidores buscam preços e adiam outras despesas

A percepção de que os preços estão mais altos em 2026 é compartilhada por 66% dos entrevistados. Mesmo diante desse cenário inflacionário, 39% afirmam que gastão mais do que no ano anterior. Essa decisão pode ser influenciada pela pressão social e pelo desejo de presentear, mesmo com o orçamento comprometido.

O presidente da CNDL, José C. da Costa, destaca que, apesar de ser um motor do varejo, o consumidor chega a esta data com o orçamento mais apertado. Ele ressalta que a pesquisa de preço se torna uma ferramenta de sobrevivência e orienta que a celebração seja feita com respeito ao planejamento doméstico.

Pressão das redes sociais e endividamento: o lado perigoso do consumo

Um dado preocupante é a disposição de 39% dos consumidores em comprar mesmo estando com contas em atraso, sendo que 72% deste grupo estão negativados. Apesar das restrições financeiras, 87% afirmam que “darão um jeito” de realizar a compra, muitas vezes colocando o presente à frente de outras obrigações.

O presidente do SPC Brasil, Roque Pellizzaro Júnior, alerta para o impacto das redes sociais, onde 30% dos entrevistados relatam pressão para gastar mais. Ele observa que o ambiente digital, com ofertas e gatilhos mentais constantes, é um grande indutor de compras por impulso, o que é perigoso em um cenário de crédito restrito.

Para viabilizar os presentes, 63% dos consumidores admitem cortar gastos com lazer ou adiar a compra de itens pessoais. O parcelamento no cartão de crédito também é uma realidade para 23% dos compradores, mesmo cientes de que a dívida comprometerá os meses seguintes. O Pix se consolida como o método preferido para pagamentos à vista, escolhido por 52% dos consumidores.