A defesa de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, afirmou que informações presentes em um relatório de inteligência da Polícia Federal reforçam os questionamentos feitos pelos advogados sobre a condução das investigações envolvendo o filho do presidente Lula. Para os defensores, os elementos revelados podem fundamentar um pedido de arquivamento dos inquéritos.
Segundo o advogado Guilherme Suguimori, a defesa já questionava possíveis irregularidades e direcionamentos nas apurações. O relatório citado contém referências a limites, legitimidade e condução dos inquéritos e, em um dos trechos relacionados a Lulinha, aponta uma possível “ausência de lastro” para incluí-lo como investigado.
Os documentos ganharam repercussão após serem divulgados pelo ministro Alexandre de Moraes no contexto da crise envolvendo integrantes do STF e a condução de investigações relacionadas ao Banco Master e à Operação Sem Desconto. A própria documentação, porém, contém ressalvas sobre seu alcance: segundo a reportagem, os relatórios são apócrifos, declaram não possuir valor probatório e classificam parte das informações apresentadas como de confiabilidade baixa ou moderada.
Lulinha passou a ser investigado após a PF identificar relações dele com pessoas envolvidas nas apurações, entre elas Antônio Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, e a lobista Roberta Luchsinger. A partir de conversas e outros elementos encontrados durante a investigação, a Polícia Federal solicitou a abertura de três inquéritos para apurar suspeitas de tráfico de influência e outros possíveis crimes relacionados à intermediação de negócios junto a órgãos do governo federal.
A defesa nega irregularidades e sustenta que Lulinha continuará à disposição das autoridades. Os advogados afirmam que, caso sejam confirmados direcionamento político, parcialidade ou ilegalidades na condução das apurações, as investigações deverão ser definitivamente arquivadas.