Amazônia em Alerta: A Criação Ilegal de Pássaros Ameaça Ecossistemas e a Saúde

A prática da criação ilegal de pássaros, apesar de proibida, segue como uma realidade preocupante no estado do Amazonas. Dados recentes do Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam) revelam um cenário alarmante, com um número significativo de apreensões de animais silvestres, onde as aves se destacam como as mais afetadas.

Entre janeiro e março de 2026, o Ipaam efetuou 194 apreensões de animais silvestres, evidenciando a persistência do tráfico e da posse irregular. Essa atividade, além de ilegal, representa uma séria ameaça ao delicado equilíbrio ecológico da região amazônica e pode trazer riscos à saúde humana.

As espécies mais visadas para a criação em cativeiro são papagaios e periquitos, devido à sua popularidade. No entanto, a lista de animais apreendidos é extensa e inclui répteis, mamíferos e até primatas, como o mico-de-cheiro, além de jabutis, iguanas, jiboias, jacarés, tucanos e preguiças. O Ipaam também identificou casos de venda ilegal para consumo e criação irregular em residências.

A Conexão Histórica e o Impacto na Natureza

A bióloga Bruna Silva, mestre em Zoologia, explica que a criação ilegal de animais silvestres no Amazonas tem raízes em costumes culturais passados de geração em geração. A proximidade com a floresta leva muitas pessoas a desejar ter a natureza mais perto, o que, infelizmente, pode se traduzir na retirada de animais de seus habitats naturais.

Essa retirada em massa de aves, em particular, causa um impacto direto no ecossistema. Bruna Silva ressalta que a ausência desses animais afeta toda a cadeia alimentar. Algumas aves são presas, outras predadoras, e a diminuição de uma espécie pode levar à fome e à morte de outras, além de resultar na perda de diversidade biológica de uma região.

As aves desempenham funções vitais na natureza, como a dispersão de sementes e a polinização, serviços essenciais para a manutenção do meio ambiente. A falta desses animais desequilibra o ecossistema, comparado a uma repartição onde a ausência de um membro compromete o funcionamento geral.

Destino dos Animais Apreendidos e Riscos à Saúde

Após a apreensão, os animais são encaminhados ao Centro de Triagem de Animais Silvestres (Cetas). Lá, são avaliados para determinar a possibilidade de retorno à natureza ou, quando necessário, o encaminhamento para instituições autorizadas, como zoológicos e criadouros legalizados. No entanto, nem todos os animais conseguem ser reintroduzidos em seu habitat natural, dependendo de seu estado de saúde.

A reintrodução é possível se o animal estiver em condições saudáveis e passar por um protocolo de reabilitação adequado. O Ipaam também alerta que a criação ilegal de animais silvestres representa um risco à saúde pública, devido à possibilidade de transmissão de doenças entre animais e humanos.

Orientação e Canais de Denúncia

Especialistas recomendam enfaticamente a não criação de animais silvestres. Caso haja o desejo de ter um animal, a orientação é buscar criadouros legalizados e seguir os trâmites legais. O Ipaam incentiva a entrega voluntária de animais mantidos ilegalmente, garantindo que não haverá penalidades nesses casos.

Para denúncias de crimes ambientais e tráfico de animais silvestres, o Ipaam disponibiliza seus canais de contato. As denúncias podem ser feitas pelas redes sociais do instituto ou pelo telefone (92) 2123-6715. Para casos de resgate de fauna, os contatos são (92) 98438-7964 e 2123-6739.