CPI do Master é adiada: Líderes do Congresso buscam temas populares para evitar polêmica em ano eleitoral
A possibilidade de instalação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Master, que visa apurar fraudes em um banco, tem sido um assunto evitado pelos presidentes da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), e do Senado Federal, Rodrigo Pacheco (PSD-MG). Ambos os líderes do Legislativo sinalizaram a aliados que não pretendem dar seguimento à criação da comissão neste momento.
A estratégia adotada pelos presidentes é aproveitar o retorno das atividades após o recesso de Carnaval para pautar temas considerados populares e de maior interesse público. A intenção é deixar a investigação sobre as fraudes do Master em segundo plano, especialmente em um ano eleitoral, onde o desgaste político pode ser amplificado.
A oposição, no entanto, promete fazer barulho e pressionar pela instalação da CPI. A expectativa é de que o assunto ganhe força nos próximos dias, com pedidos formais sendo apresentados para a criação da comissão. A informação sobre a estratégia de evitar a CPI do Master foi divulgada pela imprensa, conforme apurado pelas fontes disponíveis.
Temas Populares na Pauta para Desviar a Atenção da CPI do Master
Visando contornar a pressão pela CPI do Master, Arthur Lira e Rodrigo Pacheco pretendem focar em pautas que gerem maior repercussão positiva e engajamento popular. Entre os temas que devem ser priorizados estão a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública, o acordo entre Mercosul e União Europeia, e a discussão sobre o fim da escala de trabalho 6×1, que afeta diversos setores da economia.
Na Câmara dos Deputados, já existem 15 pedidos de CPIs aguardando instalação, e o presidente Arthur Lira tem afirmado que respeitará a ordem de apresentação. Contudo, a CPI do Master se destaca pela gravidade das denúncias e pela pressão pública.
Pressão sobre Davi Alcolumbre e Desdobramentos da Fraude do Master
No Senado, a pressão para a instalação da CPI do Master recai especialmente sobre o senador Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). No entanto, senadores próximos a ele indicam que Alcolumbre também prefere não “mexer no vespeiro” em ano eleitoral. A avaliação é que a investigação pode gerar um desgaste incontrolável, prejudicando partidos e o desempenho eleitoral de parlamentares.
Um fator adicional que pesa na decisão é o envolvimento de fundos de previdência estaduais nas fraudes do Master. No início de fevereiro, o Amapá Previdência foi alvo de uma operação da Polícia Federal (PF) que apura a aplicação de recursos de servidores em carteiras do banco. Davi Alcolumbre é uma figura política de grande influência no Amapá, o que adiciona uma camada extra de complexidade à situação.
Oposição Insiste e Vê Oportunidade na CPI do Master
Apesar da estratégia de evitar a investigação, a pressão pela CPI do Master deve continuar. O deputado Rogério Correia (PT-MG), por exemplo, se manifestou favorável à instalação da comissão, mesmo com o apoio tardio do PT. Ele declarou que a instalação da CPI “vai ser o terceiro tiro no pé que o bolsonarismo vai dar”, em referência a outras CPIs que geraram desgastes para o governo anterior.
A oposição enxerga na CPI do Master uma oportunidade de expor irregularidades e de pressionar o governo, utilizando o tema para ganhar visibilidade e capital político em ano de eleições. A expectativa é que a mobilização em torno da CPI se intensifique nas próximas semanas, desafiando a estratégia dos presidentes da Câmara e do Senado de priorizar pautas mais populares.