CNI e Câmaras de Comércio dos EUA Buscam Acordo para Evitar Tarifas e Impulsionar Comércio Bilateral
A Confederação Nacional da Indústria (CNI), em conjunto com a Amcham e a U.S. Chamber, enviou uma carta conjunta às autoridades brasileiras e americanas propondo uma estratégia para **evitar a imposição de tarifas adicionais** sobre produtos brasileiros exportados para os Estados Unidos. A iniciativa visa proteger a relação comercial estratégica entre os dois países e fortalecer os laços econômicos.
O apelo surge em um momento de intensificação do diálogo bilateral, incluindo a recente reunião entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump. Paralelamente, os Estados Unidos abriram uma investigação com base na Seção 301 da Lei de Comércio, um instrumento utilizado para apurar práticas comerciais consideradas desleais por parceiros. A proposta das entidades empresariais busca apresentar uma solução para esta investigação.
O documento foi endereçado a ministros e representantes de alto escalão de ambos os governos, incluindo o Ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, o Ministro das Relações Exteriores, Embaixador Mauro Vieira, o Representante de Comércio dos Estados Unidos, Embaixador Jamieson Greer, e o Secretário de Estado americano, Marco Rubio. O objetivo principal é estabelecer uma agenda de negociação estruturada e clara.
Proposta de Negociação em Duas Fases para o Comércio Brasil-EUA
A proposta do setor privado divide as negociações em duas fases distintas: uma com ações de curto prazo e outra com medidas de longo prazo. A prioridade imediata é encontrar uma solução para a investigação da Seção 301 que **evite a aplicação de tarifas adicionais** sobre determinados produtos brasileiros, garantindo a estabilidade para os exportadores. Conforme informação divulgada pelas entidades, os esforços concentrados neste momento devem focar em temas de alto impacto para a economia.
Temas de Alto Impacto para o Futuro Comercial
Para alcançar os objetivos de curto prazo, as entidades sugerem um foco intensivo em áreas cruciais. Entre elas, destaca-se a busca por **maior acesso a mercados** para produtos brasileiros essenciais, como insumos industriais, bens de capital, e itens voltados para a segurança energética. A proposta também abrange o desenvolvimento de infraestrutura para data centers e para inteligência artificial, demonstrando a visão de futuro das negociações.
Outro ponto relevante é o aprimoramento da **cooperação regulatória**, visando facilitar o acesso a mercados em setores vitais como o automotivo, farmacêutico, de saúde animal e de dispositivos médicos. A proposta também apoia a extensão da moratória da Organização Mundial do Comércio (OMC) sobre a isenção de imposto de importação para transmissões eletrônicas, um tema de grande relevância para o comércio digital global.
Acelerando Inovação e Combate à Pirataria
A agilidade no **exame de patentes** e a redução do estoque de pedidos no Brasil, especialmente nos setores de saúde e biofarmacêutico, são pontos centrais na agenda de longo prazo. O fortalecimento do combate à pirataria e à contrafação também é enfatizado como essencial para um ambiente de negócios mais seguro e confiável. A cooperação em minerais críticos, incluindo mapeamento geológico conjunto e desenvolvimento de cadeias de fornecimento seguras, também figura como prioridade.
A implementação integral do Protocolo Anticorrupção do Acordo de Cooperação Econômica e Comercial (ATEC) é mencionada como um passo fundamental para solidificar a confiança e a transparência nas relações bilaterais. O objetivo final é criar um ambiente mais favorável para investimentos e para a expansão do comércio entre Brasil e Estados Unidos.