Bangladesh vive um momento decisivo com sua primeira eleição geral após os históricos protestos de 2024, liderados pela geração Z. A votação marca o fim de um período turbulento e abre caminho para a busca por estabilidade e renovação democrática em um dos países mais populosos do mundo.

Milhões de bangladenses foram às urnas nesta quinta-feira (12) para definir o futuro político do país. Esta é a primeira eleição geral realizada desde as expressivas revoltas de 2024, que culminaram na deposição da então primeira-ministra Sheikh Hasina. O alto índice de participação, atingindo 32,88% ao meio-dia em cerca de três quartos dos centros de votação, sinaliza o engajamento da população em um processo que promete ser um divisor de águas.

A importância de um resultado claro transcende a política local, impactando diretamente a estabilidade econômica e a governança de uma nação com 175 milhões de habitantes. Os protestos que levaram à queda de Hasina geraram meses de instabilidade, afetando setores cruciais como o têxtil, vital para as exportações do país. A eleição é vista como um teste para a capacidade do Bangladesh de superar as turbulências e trilhar um novo caminho.

Este pleito é notável por ser a primeira eleição no mundo desencadeada por uma revolta popular protagonizada por jovens com menos de 30 anos, a geração Z. O cenário político atual apresenta duas coligações lideradas por antigos aliados, com a disputa acirrada entre Tarique Rahman, do Partido Nacionalista de Bangladesh (BNP), e Shafiqur Rahman, líder do grupo islâmico Jamaat-e-Islam. Pesquisas indicam uma ligeira vantagem para Rahman, que expressou otimismo quanto à vitória e ao entusiasmo popular. As informações são da Comissão Eleitoral e de análises divulgadas pela Reuters.

A esperança por um novo Bangladesh

Nas ruas da capital, Daca, a expectativa era palpável. Filas se formaram nos centros de votação desde cedo, com cidadãos expressando o desejo por uma mudança. Mohammed Jobair Hossain, de 39 anos, que não votava desde 2008, compartilhou o sentimento de muitos ao afirmar que o ambiente eleitoral parecia mais livre e festivo do que em pleitos anteriores. Essa atmosfera de renovação é um reflexo direto das aspirações da geração Z, que clamou por reformas e um governo mais representativo.

Reformas e desafios no horizonte

Paralelamente à eleição, um referendo propõe um conjunto de reformas constitucionais ambiciosas. Entre elas, a criação de um governo interino neutro para períodos eleitorais, a reestruturação do parlamento para uma legislatura bicameral, o aumento da representação feminina, o fortalecimento da independência judicial e a imposição de um limite de dois mandatos para o primeiro-ministro. Essas propostas buscam solidificar as bases de uma democracia mais robusta e inclusiva.

Segurança e incidentes pontuais

Apesar do clima geral de tranquilidade e da alta participação, alguns incidentes pontuais foram registrados. A morte de um líder do BNP em uma briga e ferimentos causados pela explosão de uma bomba caseira em Gopalganj, reduto de Hasina, foram reportados. Para garantir a segurança, cerca de 958 mil membros das forças policiais, militares e paramilitares foram mobilizados em todo o país, com a presença ostensiva das forças de segurança nos centros de votação.

O futuro em jogo

O resultado desta eleição é crucial para a estabilidade do Bangladesh. Thomas Kean, consultor sênior do International Crisis Group, ressalta que o teste mais importante será a condução justa e imparcial do processo, com a aceitação dos resultados por todas as partes. Caso isso se concretize, será uma demonstração inequívoca de que o país está, de fato, embarcando em um período de renovação democrática. A apuração dos votos já começou, com resultados esperados para a manhã de sexta-feira (13).