Autazes Lidera Queimadas no Amazonas e Enfrenta Ar Tóxico
O município de Autazes, no interior do Amazonas, tornou-se o epicentro dos focos de queimadas no estado nas últimas 72 horas. Um total de 139 registros foram contabilizados entre sexta-feira (10) e a manhã desta terça-feira (13), representando 19,1% dos 726 focos detectados em todo o Amazonas no mesmo período, segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).
A situação em Autazes é alarmante não apenas pelo avanço do fogo, mas também pela drástica piora na qualidade do ar. A concentração de partículas finas atingiu níveis preocupantes, classificados como “péssimos” pelos sistemas de monitoramento ambiental. Este cenário impacta diretamente a saúde e o cotidiano dos moradores.
A mudança no padrão das queimadas, com maior incidência na Região Metropolitana de Manaus e no Baixo Amazonas, é atribuída pelo Corpo de Bombeiros do Amazonas à instalação de bases permanentes no Sul do estado. A força-tarefa contra os incêndios foi reforçada com aeronaves e uma estrutura integrada para otimizar o combate.
Mudança no Cenário das Queimadas no Amazonas
Diferentemente de anos anteriores, onde o Sul do Amazonas era a região mais afetada, os incêndios agora concentram-se na Região Metropolitana de Manaus e no Baixo Amazonas. O comandante-geral do Corpo de Bombeiros do Amazonas, Orleilso Muniz, explicou que a presença de bases permanentes no Sul do estado, implementadas no ano passado, contribuiu para a redução dos focos naquela área.
“Este ano, diferente de anos anteriores, o Sul do Amazonas não está tão impactado. No Sul do Amazonas, no ano passado, nós instalamos diversas bases do Corpo de Bombeiros permanente. E aí nós observamos que agora, no entorno de Manaus, na região metropolitana, Baixo Amazonas, tem sofrido muito com focos de calor e de queimadas”, afirmou Muniz.
Qualidade do Ar em Autazes Atinge Níveis Críticos
A qualidade do ar em Autazes atingiu um índice alarmante, com a concentração de partículas finas chegando a 708,6 microgramas por metro cúbico (µg/m³). Este valor foi classificado como “péssimo” pelo Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva), da Universidade do Estado do Amazonas (UEA).
Para se ter uma ideia da gravidade, a qualidade do ar é considerada “boa” pelo Selva quando a concentração de partículas fica entre 0 e 25 µg/m³. Acima disso, os índices variam de moderados a péssimos. Um vídeo registrado por um barqueiro na manhã desta terça-feira mostrou uma densa camada de fumaça cobrindo o rio, dificultando a visibilidade.
Mobilização Aérea para Combate aos Incêndios
Autazes está entre as áreas prioritárias para o recebimento de ações de combate aos incêndios com o uso de aeronaves enviadas pelo governo federal. A operação conta com um impressionante efetivo de 11 aeronaves, incluindo seis aviões Air Tractor, um cargueiro KC-390 da Força Aérea Brasileira (FAB), três helicópteros e um avião Caravan.
Quatro aviões Air Tractor foram especificamente destinados a Autazes e ao entorno de Manaus, operando a partir da Base Aérea da capital. Essas aeronaves são cruciais para o lançamento direto de água sobre as áreas em chamas. A operação também mobilizou 290 brigadistas do Ibama, ICMBio e da Força Nacional, além de uma equipe especializada enviada de São Paulo.
No entanto, a fumaça intensa tem sido um obstáculo. Na segunda-feira (12), apenas o KC-390 conseguiu realizar voos de lançamento de água, com os helicópteros prestando apoio logístico. As condições de visibilidade impediram a operação de outras aeronaves, demonstrando o desafio imposto pela densa fumaça.
Aumento Geral das Queimadas no Amazonas
O cenário em Autazes reflete um aumento generalizado das queimadas em todo o Amazonas. Nos primeiros dez dias de outubro, o estado registrou 1.380 focos de incêndio, um aumento de 271% em comparação com o mesmo período de 2025. Os dados são do Painel do Fogo, do Censipam.
A maior parte desses focos (1.186) ocorreu em áreas públicas, com registros também em propriedades privadas e áreas de situação fundiária indefinida. O impacto se estende a assentamentos federais, terras indígenas e unidades de conservação, totalizando centenas de focos nessas áreas sensíveis.