Artesanato Indígena Brasileiro Encanta Paris em Feira Internacional de Design
O artesanato indígena da Amazônia brasileira deu um salto impressionante, saindo de territórios remotos para se destacar em uma das mais importantes feiras de design de interiores do mundo, a Maison&Objet, em Paris. Essa conquista representa um marco para a valorização cultural e econômica dessas comunidades.
A presença brasileira na capital francesa foi resultado da segunda edição da Jornada Exportadora do Artesanato, promovida pela ApexBrasil. O evento selecionou 20 iniciativas entre mais de 600 inscritas, focando na inserção do artesanato brasileiro no cenário internacional.
A Tucum Brasil, plataforma dedicada à comercialização de arte indígena brasileira e integrante da AMAZ Aceleradora, foi uma das protagonistas dessa jornada. A empresa levou para Paris peças que contam histórias e tradições de diversos povos originários, demonstrando a riqueza e a diversidade da produção artesanal nacional.
Da Amazônia para o Mundo: A Trajetória da Tucum Brasil
A Tucum Brasil, coordenada pelo Idesam – Instituto de Conservação e Desenvolvimento da Amazônia, trabalha ativamente para conectar comunidades tradicionais e o mercado global. A participação na Maison&Objet, especificamente na exposição “Brasil Nostálgico”, foi uma oportunidade única de apresentar o artesanato indígena a um público qualificado.
Amanda Santana, fundadora e gestora da Tucum, destacou o grande interesse demonstrado por compradores e lojistas de diversos países, incluindo França, Grécia, Islândia, Reino Unido e Bélgica. “Foi uma oportunidade tanto para a Tucum estabelecer contato e, de repente, fechar negócios em maior escala com esses compradores quanto para aprender também”, afirmou Amanda.
Desafios e Oportunidades na Internacionalização do Artesanato
Levar o artesanato indígena para o mercado internacional envolve superar desafios logísticos e de produção. A dinâmica das comunidades, o tempo de confecção das peças e a complexidade para retirar produtos de áreas remotas da Amazônia são fatores cruciais a serem considerados.
Amanda Santana explicou que a produção artesanal não segue uma lógica contínua ou em larga escala, sendo conciliada com as atividades cotidianas das comunidades. “Esse fazer acontece em determinados momentos que são separados para isso. Isso implica também na forma como a gente escala e na forma como a gente forma o preço”, detalha.
A complexa logística de transporte, desde a floresta até centros urbanos e, posteriormente, para outros países, também é um ponto de atenção. A internacionalização exige a criação de condições que respeitem o modo de produção local e garantam a viabilidade econômica para os artesãos.
Uma Rede de Valorização e Sustentabilidade
Fundada em 2013, a Tucum Brasil expandiu sua atuação para diversas Unidades de Conservação e Terras Indígenas na Amazônia Legal, reunindo associações, cooperativas, grupos e artistas de 106 povos indígenas. A empresa comercializa uma vasta gama de produtos, como roupas, bolsas, biojoias, pinturas e objetos de decoração.
Em 2024, a Tucum adquiriu R$ 538 mil em mercadorias, beneficiando diretamente os artesãos. A participação em eventos como a Jornada Exportadora, incluindo uma edição anterior em Lisboa, tem sido fundamental para ampliar o acesso a mercados e gerar renda, contribuindo para a preservação territorial e cultural. “Na nossa missão de valorizar e promover as artes indígenas do Brasil, a Tucum vê na exportação uma oportunidade de gerar mais renda e impactos positivos para as artistas que mantêm seu território com a floresta de pé”, conclui Amanda.