Manaus registra o pior ar do Brasil, mesmo com melhora temporária
A capital amazonense, Manaus, apesar de apresentar uma melhora em comparação com os picos mais severos de fumaça de queimadas registrados recentemente, continua na liderança do ranking das cidades mais poluídas do Brasil. Nesta sexta-feira (30), a cidade registrou um Índice de Qualidade do Ar (AQI) de 148, classificado como ‘não saudável para grupos sensíveis’ pela plataforma global IQAir.
Essa condição preocupa, pois o índice supera significativamente o de outras capitais brasileiras. A situação se agrava com a possibilidade de chegada de fumaça de queimadas do sul do Pará, conforme alerta do governador do Amazonas, Roberto Cidade. A qualidade do ar em Manaus já foi classificada como ‘ruim’ a ‘moderada’ em diferentes pontos da capital, segundo o Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva), da Universidade do Estado do Amazonas (UEA).
Em uma das estações de monitoramento do Selva, localizada no bairro Morro da Liberdade, a concentração de partículas atingiu 55,1 µg/m³. Os dados do sistema indicam que a qualidade do ar varia entre ‘muito ruim’ e ‘péssimo’ em diversos pontos monitorados da capital e também em municípios do interior do estado. Conforme a escala do Selva, a qualidade do ar é considerada boa apenas quando a concentração de partículas fica entre 0 e 25 µg/m³.
Cidades do interior também sofrem com a poluição do ar
A poluição do ar não se restringe apenas à capital amazonense. Municípios do interior do estado também registram concentrações elevadas de partículas. Em Iranduba, o índice foi de 81,5 µg/m³, em Parintins, chegou a 176 µg/m³, em Itacoatiara, foram registrados 97 µg/m³, e em Nhamundá, o índice alcançou 115,6 µg/m³. Esses números demonstram a amplitude do problema no estado.
Fumaça de queimadas no Pará representa nova ameaça para o Amazonas
Um novo fator de preocupação foi anunciado pelo governador do Amazonas, Roberto Cidade, na última segunda-feira (26). Ele alertou que a fumaça proveniente das intensas queimadas na região sul do Pará, especialmente em Itaituba, próxima à divisa com o Amazonas, pode atingir o estado nos próximos dias. Essa possibilidade levanta temores de um agravamento ainda maior na qualidade do ar.
O governador informou que o governo do Amazonas pretende dialogar com o governo do Pará para buscar medidas conjuntas de combate aos incêndios que causam essa poluição. A previsão é que a fumaça possa chegar ao Amazonas em um período de dois a três dias, intensificando os desafios para a saúde da população e o meio ambiente local.
Entendendo os níveis de qualidade do ar
É fundamental compreender as classificações utilizadas para medir a qualidade do ar. Segundo o Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva), a qualidade do ar é considerada ‘boa’ quando a concentração de partículas está entre 0 e 25 µg/m³. Acima desse patamar, os índices variam de ‘moderada’, ‘ruim’, ‘muito ruim’ até ‘péssimo’, dependendo da concentração de partículas.
Impactos na saúde e no cotidiano
Um índice de qualidade do ar como o registrado em Manaus, classificado como ‘não saudável para grupos sensíveis’, pode causar diversos problemas de saúde. Pessoas com doenças respiratórias, idosos e crianças são particularmente mais vulneráveis aos efeitos da poluição, podendo apresentar sintomas como tosse, irritação nos olhos e garganta, e dificuldade para respirar. A visibilidade também pode ser reduzida, afetando o tráfego aéreo e terrestre.