A disputa presidencial no Peru segue acirrada. Com 98,21% das urnas apuradas nesta quarta-feira (10), a candidata de direita Keiko Fujimori retomou uma pequena liderança sobre o esquerdista Roberto Sánchez, de acordo com o Escritório Nacional de Processos Eleitorais (ONPE).

Keiko, de 51 anos, aparece com 50% dos votos válidos, contra 49,99% de Sánchez, de 57. A diferença é de apenas algumas centenas de votos, impulsionada pelos votos vindos do exterior, especialmente dos Estados Unidos e do Japão.

A autoridade eleitoral peruana alertou que a contagem final pode levar entre duas semanas e até o fim do mês, devido a contestações e à necessidade de revisar atas impugnadas — cerca de 480 mil votos ainda aguardam análise.

“Vamos esperar os números oficiais, mas a contagem crescente, principalmente das atas do exterior, nos dá muito ânimo”, declarou Keiko à imprensa, afirmando estar “otimista e prudente” e prometendo respeitar o resultado final.

Por outro lado, Sánchez denunciou “manobras e vontades para distorcer a democracia”, criticando um “setor da imprensa” que o ataca. Ele pediu respeito aos resultados, mas não descartou convocar manifestações pacíficas.

O cenário lembra a eleição de 2021, quando Pedro Castillo venceu Keiko por apenas 0,25 ponto percentual, com o resultado final divulgado seis semanas após o pleito. Uma missão da União Europeia classificou o segundo turno como “tranquilo e ordenado”, apesar da campanha polarizada.

Keiko Fujimori, filha do ex-presidente Alberto Fujimori, tenta pela quarta vez chegar à presidência. Sánchez, herdeiro político do ex-presidente Pedro Castillo (preso desde 2022), disputa seu primeiro segundo turno. O vencedor tomará posse em 28 de julho, substituindo o presidente interino José María Balcázar para um mandato de cinco anos.