Ancine Investiga Produtora de “Dark Horse” por Irregularidades em Gravações no Brasil
A Agência Nacional do Cinema (Ancine) iniciou um processo administrativo contra a Go Up Entertainment, empresa responsável pela produção da cinebiografia não autorizada “Dark Horse”, focada no ex-presidente Jair Bolsonaro. A investigação se concentra em supostas irregularidades ocorridas durante as filmagens do longa em território brasileiro.
A principal acusação da Ancine é a falta de comunicação prévia exigida por lei para a filmagem de obras estrangeiras no país. Segundo o órgão, a Go Up Entertainment, considerada uma produtora estrangeira, não cumpriu com os trâmites legais necessários, gerando o processo administrativo.
O caso envolve a produção de um filme falado em inglês, dirigido por um cineasta norte-americano e com roteiristas dos Estados Unidos e do Brasil. A Ancine busca esclarecimentos da produtora, que até o momento afirma não ter sido formalmente notificada, mas já busca contato com o órgão regulador.
O Que Diz a Legislação da Ancine
A legislação brasileira, conforme explicada pela Ancine, determina que a filmagem de obras audiovisuais estrangeiras em território nacional deve ser precedida de uma comunicação formal à Agência. Essa comunicação deve incluir a apresentação de cópias de contratos firmados com empresas brasileiras e um plano detalhado das atividades a serem realizadas no Brasil.
A Go Up Entertainment, sediada na Califórnia, EUA, não teria realizado essa comunicação prévia. A Ancine tentou contato com a produtora em duas ocasiões para obter esclarecimentos, mas não obteve sucesso, o que levou à abertura do processo administrativo e à lavratura de auto de infração.
Caso as irregularidades sejam comprovadas, a produtora poderá ser **sancionada com multas que variam entre R$ 2 mil e R$ 100 mil**, de acordo com a gravidade da infração cometida.
“Dark Horse” e a Polêmica do Financiamento
O filme “Dark Horse” já esteve no centro de polêmicas anteriores. Em maio deste ano, uma reportagem revelou negociações envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro para o repasse de cerca de **R$ 134 milhões destinados ao financiamento da obra**. Essas negociações geraram questionamentos sobre a origem e o destino dos recursos.
Paralelamente, a dona da Go Up Entertainment, Karina Gama Ferreira, tornou-se alvo de uma investigação da Polícia Civil de São Paulo. A apuração busca identificar possíveis fraudes em licitações relacionadas ao programa WiFi Livre SP, da prefeitura da capital paulista.
Posição da Produtora e da Ancine
Em nota, a Go Up Entertainment declarou que, até o momento, **não recebeu qualquer notificação formal da Ancine** sobre o processo administrativo. A empresa afirmou que, ao tomar conhecimento da informação, buscou o órgão para atualizar seus contatos e solicitar esclarecimentos. A produtora se colocou à disposição para apresentar as informações necessárias caso seja formalmente comunicada.
A Ancine, por sua vez, reafirmou em nota que o processo está em andamento e que **não antecipará conclusões sobre o mérito**. A Agência ressaltou seu compromisso com a transparência e a regularidade do setor audiovisual brasileiro, e que as conclusões da apuração serão divulgadas publicamente após a conclusão do processo sancionador, que é de acesso restrito.