Amazonas registra queda significativa no desmatamento, mas alerta sobre desafios ambientais

O estado do Amazonas apresentou uma redução expressiva de 32% no desmatamento entre agosto de 2025 e fevereiro de 2026. Nesse período, a área de floresta derrubada totalizou 200 km², um número consideravelmente menor quando comparado aos 296 km² registrados no mesmo intervalo do ano anterior.

Apesar da melhora, o Amazonas se mantém como o segundo estado mais afetado pela devastação na Amazônia Legal, ficando atrás apenas do Pará. Essa tendência de queda acompanha o cenário geral da região amazônica, que em fevereiro de 2026 atingiu o menor índice de desmatamento para o mês em oito anos, segundo dados do Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD) do Imazon.

Especialistas apontam que a persistente pressão sobre áreas públicas e o avanço da agropecuária, especialmente na região conhecida como AMACRO (Acre, Amazonas e Rondônia), continuam a manter o Amazonas entre os estados mais impactados pela derrubada de florestas. A notícia foi divulgada pelo Imazon.

Decreto sobre Reserva Legal: entre a recuperação e a preocupação ambiental

Um decreto publicado pelo governo do Amazonas em agosto de 2025 flexibilizou a Reserva Legal, permitindo sua redução de 80% para até 50% em áreas de floresta. A medida, que complementa o Programa de Regularização Ambiental, autoriza a diminuição da vegetação nativa obrigatória.

Antônio Norte, doutor em Ciência do Ambiente e Sustentabilidade na Amazônia, critica a decisão, afirmando que o decreto fere princípios constitucionais e pode acarretar sérias consequências ambientais e jurídicas. Ele argumenta que a redução da Reserva Legal abaixo do estabelecido pelo Código Florestal cria um precedente inconstitucional e preocupante.

Norte detalha que a nova lei estadual afronta a legislação federal, ignora o princípio da proibição do retrocesso ambiental e abre espaço para a legalização de desmatamentos irregulares, podendo funcionar como um incentivo a crimes ambientais e uma espécie de anistia para grileiros.

Governo do Amazonas defende decreto e garante fiscalização

Em resposta às críticas, o Governo do Amazonas declarou, em nota, que o decreto não flexibiliza a lei ambiental. Segundo o governo, a intenção da medida é recuperar a vegetação nativa e assegurar que os produtores rurais atuem dentro da legalidade.

A administração estadual informou que a fiscalização ambiental continua sendo realizada pelo Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam). O governo reitera que o desmatamento não autorizado permanece ilegal, e o desmatamento autorizado não pode ultrapassar 20% da área do imóvel rural, em conformidade com a legislação vigente.

O decreto esclarece que a exigência de 80% de Reserva Legal é mantida para áreas de preservação. Os 30% restantes devem ser destinados à regeneração natural, sem permissão para uso produtivo ou expansão econômica.

Especialistas alertam para os impactos das mudanças climáticas

Carlos Souza Jr., pesquisador que coordena o Programa de Monitoramento da Amazônia do Imazon, destaca a importância da redução do desmatamento para o combate às mudanças climáticas. Ele explica que a queda no desmatamento é essencial para reduzir as emissões de gases de efeito estufa.

Souza Jr. ressalta que as mudanças climáticas têm intensificado eventos extremos, como secas e tempestades, afetando diretamente a vida na região e em todo o planeta. A preservação da floresta amazônica é, portanto, um pilar fundamental para a estabilidade climática global.