Amazonas preserva 94,6% de sua vegetação nativa, mas enfrenta desafios em áreas de fronteira e infraestrutura
O estado do Amazonas se destaca nacionalmente ao manter impressionantes 94,6% de seu território coberto por vegetação nativa em 2025, consolidando-se como o segundo estado mais conservado do bioma Amazônia. O dado, divulgado pelo levantamento “Bioma Amazônia” do MapBiomas, revela a força da preservação no estado, atrás apenas do Amapá.
Apesar do cenário positivo, o estudo aponta para pressões crescentes em áreas de fronteira e no entorno de rodovias, impulsionadas pelo avanço da agropecuária e da infraestrutura. Essas dinâmicas exigem atenção para garantir a manutenção dos altos índices de conservação.
O levantamento do MapBiomas, divulgado nesta quarta-feira (14), detalha os desafios que o Amazonas enfrenta, mesmo liderando em conservação. A expansão da agropecuária e a necessidade de desenvolvimento de infraestrutura são pontos de atenção, especialmente nas divisas com outros estados e ao longo de importantes vias de acesso. Conforme informação divulgada pelo MapBiomas.
A AMACRO: Zona de Alerta na Tríplice Divisa
Um dos focos de preocupação é a região da AMACRO, que abrange áreas de confluência entre Amazonas, Acre e Rondônia. Embora represente 11% do bioma, essa zona foi responsável por 13% de toda a perda de vegetação nativa na Amazônia nos últimos 41 anos. Desde 1985, a área de florestas na AMACRO diminuiu em 7 milhões de hectares, uma redução de 16%.
O ritmo de desmatamento se intensificou na última década, com a perda de 2,7 milhões de hectares entre 2015 e 2025. A conversão de solo para agropecuária é o principal motor dessa destruição, com a área de pastagem na região da AMACRO crescendo cerca de 15 vezes desde 1985, adicionando 6,6 milhões de hectares.
Infraestrutura Viária: Vetor de Pressão e Oportunidade
A infraestrutura viária é apontada como um dos principais vetores de aproximação do desmatamento. O avanço de rodovias e seus ramais secundários facilita o acesso a áreas antes isoladas, podendo impulsionar atividades como exploração madeireira e ocupação irregular.
No entanto, o Amazonas apresenta um contraponto positivo na BR-319. Ao longo desta rodovia, 86% da área em um raio de 20 quilômetros ainda é coberta por floresta preservada. Este índice é significativamente superior ao observado em rodovias de estados vizinhos, como a BR-364 (43,5%) e a BR-163 (39%).
O Papel da AMACRO e o Futuro da Amazônia
A AMACRO, idealizada em 2019 por lideranças do agronegócio e governos estaduais, busca integrar bioeconomia, infraestrutura e regularização fundiária. Contudo, seu desenvolvimento precisa ser cuidadosamente gerido para evitar a intensificação do desmatamento e a perda de vegetação nativa, um desafio crucial para a conservação da Amazônia.
O estudo do MapBiomas reforça a importância de monitorar as fronteiras de desmatamento e de planejar o desenvolvimento de infraestrutura de forma sustentável, garantindo que o Amazonas continue a ser um exemplo de conservação ambiental no Brasil.