Amazonas e Minas Gerais mantêm a tradição de votar no presidente eleito, um fenômeno que se repete há quase 40 anos.
A vitória de Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições presidenciais de 2026 consolidou um padrão eleitoral que se repete no Brasil desde 1989. O estado do Amazonas, assim como Minas Gerais, mais uma vez acompanhou o resultado nacional, elegendo o candidato que viria a ser o presidente da República.
Essa coincidência histórica, que completa dez pleitos, intriga especialistas e eleitores. O cientista político Helso Ribeiro analisou o comportamento eleitoral desses estados e ofereceu pistas sobre os fatores que podem explicar essa notável fidelidade ao eleito nacionalmente.
A tradição, que se estende por quase quatro décadas, faz com que os olhos se voltem para o Amazonas e Minas Gerais a cada eleição presidencial. Conforme apurado pelo g1, ambos os estados demonstraram, em 2026, uma forte tendência em apontar o vencedor da disputa nacional.
O perfil eleitoral do Amazonas: um contraste entre capital e interior
Helso Ribeiro destaca uma divisão clara no voto dentro do Amazonas. Segundo o especialista, o interior do estado demonstra uma inclinação histórica em apoiar o Partido dos Trabalhadores (PT) e seus candidatos, incluindo o presidente Lula. Essa tendência se manifestou com força em 2026, onde Lula venceu em 57 dos 62 municípios amazonenses.
Em contrapartida, a capital, Manaus, apresentou um comportamento eleitoral distinto, com uma preferência maior por candidaturas de centro e centro-direita. No segundo turno, Flávio Bolsonaro obteve a maioria dos votos na capital amazonense, um reflexo da heterogeneidade política da região metropolitana.
O cientista político ressalta que essa dualidade entre o voto do interior e o da capital é um fator crucial para entender os resultados gerais do Amazonas. Ele aponta que a votação mais expressiva de Lula no interior ocorreu em municípios como Barreirinha (90,90%), Boa Vista do Ramos (86,92%) e Maués (83,64%).
O histórico de acertos: um padrão desde 1989
A sequência de acertos do Amazonas e de Minas Gerais na eleição presidencial é impressionante. Desde a redemocratização, com Fernando Collor em 1989, passando pelas vitórias de Fernando Henrique Cardoso, Lula, Dilma Rousseff e Jair Bolsonaro, até a recente eleição de Lula em 2026, os estados sempre apontaram o vencedor nacional.
Em 1989, Collor obteve 66,79% dos votos no Amazonas. Em 1994 e 1998, FHC alcançou 60,50% e 54,68%, respectivamente. Lula liderou em 2002 (69,88%) e 2006 (86,80%). Dilma Rousseff venceu em 2010 (80,57%) e 2014 (65,02%). Em 2018, Bolsonaro teve 50,27% dos votos, e em 2022, Lula retornou com 51,10%.
Fatores que explicam a coincidência eleitoral
Helso Ribeiro sugere que a assimilação de discursos políticos pode ser um fator determinante para essa coincidência. Segundo ele, a população de Minas Gerais e do Amazonas parece ter uma maior sintonia com as tendências nacionais, aceitando ou rejeitando discursos que acabam por refletir o sentimento geral do país.
Apesar do padrão eleitoral similar nas disputas presidenciais, o cientista político ressalta que Amazonas e Minas Gerais possuem características geográficas e eleitorais distintas. Minas Gerais, com um eleitorado mais heterogêneo, poderia, em certa medida, representar a diversidade do eleitorado brasileiro como um todo.
O Amazonas, com sua vasta extensão territorial e 62 municípios, apresenta desafios e dinâmicas próprias. A análise aprofundada desses fatores, contudo, ainda demanda mais estudos estatísticos para desvendar completamente os motivos por trás dessa consistente convergência eleitoral.