Alexandre de Moraes volta atrás e nega pedido de visita de assessor de Trump a Bolsonaro na prisão

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, decidiu nesta terça-feira (19) **negar o pedido para que um assessor do ex-presidente americano Donald Trump visitasse Jair Bolsonaro** nas dependências prisionais. A decisão representa uma reviravolta após uma autorização inicial do próprio ministro.

O caso ganhou destaque após o Itamaraty alertar que o encontro poderia configurar “indevida ingerência nos assuntos internos do Estado brasileiro”. O Ministério das Relações Exteriores também ressaltou que não havia compromisso diplomático previamente confirmado com o visitante.

A posição do Itamaraty e a nova decisão de Moraes indicam uma preocupação com os impactos da visita em um ano eleitoral, especialmente considerando a situação política atual do Brasil. Acompanhe os detalhes dessa reviravolta e as justificativas apresentadas.

Itamaraty manifesta preocupação com “ingerência indevida”

Em um documento enviado ao STF, o Itamaraty, através do ministro Mauro Vieira, expressou forte preocupação com a possibilidade de um encontro entre Darren Beattie, assessor sênior do governo Donald Trump para políticas relacionadas ao Brasil, e Jair Bolsonaro. O ministério considerou que tal visita “pode configurar indevida ingerência nos assuntos internos do Estado brasileiro”, especialmente por ocorrer em um ano eleitoral.

A pasta também enfatizou que, no pedido inicial para a concessão do visto a Beattie, “não constava qualquer menção a eventual interesse do visitante em realizar encontros ou visitas não relacionadas aos objetivos oficialmente comunicados”. O processamento e a concessão do visto ocorreram, portanto, com base em uma justificativa distinta.

Moraes detalha motivos da negativa e reanálise do visto

Na nova decisão, Alexandre de Moraes explicou que a realização da visita de Darren Beattie, solicitada pela defesa de Jair Messias Bolsonaro, “não está inserida no contexto diplomático que autorizou a concessão do visto”. O ministro ressaltou ainda que a visita não foi comunicada previamente às autoridades diplomáticas brasileiras.

Moraes acrescentou que a falta de comunicação prévia “poderia ensejar a reanálise do visto concedido”, indicando que a permissão original para a entrada de Beattie no país não contemplava esse tipo de atividade.

Defesa de Bolsonaro e cronograma da visita

O pedido original para a visita de Beattie a Bolsonaro na cadeia foi feito pela defesa do ex-presidente no dia 10 de março. Desde janeiro, Bolsonaro cumpre pena de 27 anos de prisão por envolvimento na tentativa de golpe de 2022, no 19º Batalhão da Polícia Militar em Brasília.

Inicialmente, Alexandre de Moraes havia autorizado a visita para o dia 18 de março. Contudo, a defesa de Bolsonaro recorreu, alegando que Beattie participaria de um evento em São Paulo naquele dia e solicitou que a visita ocorresse na segunda-feira, 17 de março. A negativa posterior do ministro, baseada nas preocupações diplomáticas, impede agora a realização do encontro.