Produtores rurais do Amapá estão em alerta máximo devido ao risco de um surto de raiva transmitida por morcegos hematófagos. A Agência de Defesa e Inspeção Agropecuária do Estado (Diagro) emitiu um comunicado urgente nesta quarta-feira (14), reforçando a necessidade de vacinação dos rebanhos e a notificação imediata de qualquer sinal de mordidas em animais.
A raiva é uma doença zoonótica, o que significa que pode ser transmitida dos animais para os seres humanos, representando um grave risco à saúde pública. A doença, causada pelo vírus rábico, ataca o sistema nervoso central dos animais e, infelizmente, não tem cura. Uma vez que os sintomas neurológicos se manifestam, a taxa de mortalidade é de 100%.
Segundo a médica-veterinária Rafaela Ferreira, chefe da Unidade de Saúde Animal da Diagro, as condições das áreas rurais do Amapá são propícias para o surgimento de novos casos. A principal forma de transmissão ocorre quando morcegos hematófagos, que se alimentam de sangue, atacam equídeos, bovinos, suínos e outros animais de criação.
A última vez que o estado registrou casos confirmados de raiva animal foi em 2020 e 2021. Em 2020, um bovino testou positivo em Porto Grande, e outros três animais morreram com sintomas. Já em 2021, um búfalo e um cavalo foram a óbito em Santana apresentando sinais da doença. Conforme informação divulgada pelo g1 AP, a Diagro está intensificando as ações de vigilância e prevenção.
Medidas Urgentes de Prevenção e Controle
A vacinação em dia do rebanho é a principal ferramenta para prevenir a disseminação da raiva. Além disso, o monitoramento constante de ataques de morcegos é fundamental. Caso os produtores rurais identifiquem qualquer marca de mordida ou ferimento suspeito em seus animais, a notificação à Diagro deve ser feita imediatamente. Essa ação rápida é crucial para a contenção da doença.
A equipe da Diagro atua na investigação de casos suspeitos, coleta de amostras para exames laboratoriais em animais com sintomas e na promoção de ações de educação sanitária para orientar os criadores sobre os riscos e as medidas preventivas. A agência enfatiza que a rápida resposta é essencial para evitar perdas significativas.
O Risco da Raiva e a Transmissão Zoonótica
A raiva é uma doença fatal e altamente contagiosa, afetando o sistema nervoso central. Por ser uma zoonose, o contato com animais infectados, mesmo que apresentem ferimentos leves causados por morcegos, pode transmitir o vírus para humanos. Moradores e trabalhadores do campo que tiverem contato com animais doentes devem procurar atendimento médico imediatamente.
Os morcegos hematófagos, vetores primários da doença, costumam se abrigar em locais como cavernas, construções abandonadas e currais. Eles formam colônias onde o vírus pode se espalhar entre os próprios morcegos através de lambeduras, antes de infectarem os rebanhos nas propriedades rurais.
Vacinação Obrigatória em Áreas de Risco
Em situações de suspeita ou confirmação da doença em uma propriedade, a vacinação contra a raiva torna-se obrigatória. A imunização deve abranger todos os animais suscetíveis, incluindo bois, búfalos, cabras, ovelhas, jumentos e cavalos, não apenas na propriedade afetada, mas também em um raio de até 12 quilômetros ao redor. Essa medida é vital para criar uma barreira de proteção.
A Diagro reforça a importância de manter o calendário de vacinação dos animais sempre atualizado e de estar atento a qualquer sinal que possa indicar a presença do vírus. A colaboração dos produtores rurais é essencial para garantir a saúde do rebanho e a segurança da população.