Jennifer Percival, ligada a estudos sobre autismo, admitiu ter falsificado documentos para receber US$ 750 mil de um fundo destinado a vítimas de Jeffrey Epstein. A confissão ocorreu em um tribunal federal em Nova York, onde ela foi indiciada na mesma data.
Jennifer Percival, uma acadêmica e autora reconhecida por seus trabalhos sobre autismo, confessou ter falsificado documentos na tentativa de receber uma substancial indenização de US$ 750 mil. O valor provinha de um fundo criado para compensar vítimas dos abusos sexuais cometidos pelo financista Jeffrey Epstein.
A declaração de culpa foi formalizada na segunda-feira (14) em um tribunal federal nos Estados Unidos, em Nova York. A transcrição da audiência, divulgada na quarta-feira (16), detalha os atos de Percival, embora ela não tenha feito comentários sobre Epstein ou sobre ser uma de suas vítimas.
A investigação, conduzida pelo FBI, aponta que Percival buscou a indenização no final de 2020, após a morte de Epstein, que cometeu suicídio enquanto aguardava julgamento por tráfico sexual. O fundo inicial, gerido pelo espólio do bilionário, negou o pedido de Percival, cujos motivos não foram revelados nos autos do processo. As informações são do Estadão.
Adulteração de carta de rejeição para obter benefício financeiro
Em 2024, Percival tentou novamente obter fundos, desta vez através de um novo acordo, desta vez envolvendo o banco JPMorgan Chase, que concordou em pagar US$ 290 milhões para encerrar processos relacionados a Epstein. Para justificar seu novo pedido, ela alegou falsamente que o fundo do espólio de Epstein havia aprovado sua elegibilidade e lhe pago US$ 500 mil.
A acadêmica apresentou uma cópia da carta original de rejeição, mas a adulterou para que parecesse uma aprovação da indenização. Em sua confissão, Percival declarou ao juiz que o objetivo era “obter dinheiro, o que me dava uma sensação de validação”. Com base nessas declarações falsas, o fundo ligado ao banco efetuou o pagamento de US$ 750 mil a Percival.
Investigação do FBI e novas falsificações
Após o pagamento, o FBI iniciou uma investigação. No final de 2025, agentes apresentaram a Percival a carta original que confirmava a rejeição de seu pedido. Mesmo confrontada com a prova, ela insistiu em alegações falsas, afirmando ter recorrido da decisão e sido considerada elegível.
Percival também entregou ao seu advogado e a um promotor federal e-mails alterados e forjados, que foram usados em uma tentativa de adiar o processo. “Sei que minhas ações foram erradas e assumo total responsabilidade”, declarou a acadêmica durante a audiência.
Devolução de valores e possível pena
Na audiência de confissão de culpa, Percival apresentou um cheque no valor de US$ 776.031, montante que deverá ser devolvido, incluindo juros. A data de sua sentença ainda não foi definida, e ela aguardará a decisão judicial em liberdade. As diretrizes federais sugerem uma pena de três a quatro anos de prisão, conforme o acordo firmado com os promotores, mas a decisão final cabe ao juiz.
Defesa pode pedir clemência com base no trabalho com pessoas com deficiência
Percival é diretora do Centro de Autismo e Deficiências Relacionadas da Florida Atlantic University. É provável que sua defesa argumente por clemência, destacando seu trabalho com pessoas com deficiência ao longo dos anos. A universidade a descreve como uma pesquisadora premiada e ativa em conselhos consultivos nacionais e regionais.
A Associated Press tentou contato com Percival, seu advogado e a universidade, mas não obteve resposta. Nem os autos do processo nem as declarações em audiência esclarecem o motivo pelo qual Percival se sentiu no direito de solicitar o dinheiro do acordo relacionado a Epstein. As evidências que poderiam ser apresentadas em um julgamento incluiriam registros bancários, e-mails e depoimentos de administradores dos fundos de indenização, conforme relatado por um promotor.