Boulos se consolida como figura chave no governo Lula, participando de reuniões estratégicas de campanha

As recentes mudanças no alto escalão do governo federal consolidaram a posição de Guilherme Boulos, chefe da Secretaria-Geral da Presidência, como um conselheiro de confiança do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Com a saída de ministros que buscarão mandatos eletivos, Boulos expandiu sua influência na chamada “cozinha” do Planalto, participando ativamente das reuniões semanais do conselho de campanha do presidente.

Inicialmente, em sua posse em outubro, Boulos assumiu responsabilidades voltadas para a visibilidade externa e a articulação com movimentos sociais, como a defesa do governo nas redes e o programa “Governo do Brasil na Rua”. Ele também foi encarregado de temas como a regulamentação do trabalho por aplicativos e o fim da escala 6×1, além de atuar na negociação com caminhoneiros diante do crescimento de Flávio Bolsonaro nas pesquisas.

A surpresa, segundo auxiliares presidenciais, reside na rápida integração de Boulos ao grupo que define a estratégia eleitoral. Apesar de ser filiado ao PSOL, ele se tornou um membro ativo do conselho, composto majoritariamente por petistas e aliados históricos de Lula. Essa aproximação, conforme informações divulgadas, se intensificou nos últimos meses, com Boulos sendo ouvido diretamente pelo presidente na construção da candidatura à reeleição.

Integrado ao Círculo Íntimo de Campanha

Lula tem se reunido frequentemente com o núcleo de sua pré-campanha para debater a conjuntura política e definir estratégias. Entre os participantes regulares estão nomes como Edinho Silva, presidente do PT e coordenador-geral da campanha; Sérgio Gabrielli, ex-presidente da Petrobras e responsável pelo programa de governo; e José de Filippi Jr., ex-prefeito de Diadema e futuro tesoureiro. O grupo também conta com o senador Camilo Santana, Paulo Okamotto, Gilberto Carvalho e Mônica Valente. Aloizio Mercadante, presidente do BNDES, e Sidônio Palmeira, ministro da Secretaria de Comunicação Social, também são consultados, com Raul Rabelo cotado para ser o marqueteiro. A participação de Boulos neste seleto grupo demonstra a confiança que Lula deposita em seu trabalho.

Articulações e Desafios na Trajetória de Boulos

A recente confirmação por Lula do envio de um projeto para acabar com a escala 6×1, anunciada previamente por Boulos e que enfrentou contestações internas, é um indicativo do prestígio do ministro. Sua trajetória, no entanto, não foi isenta de atritos. Boulos foi um dos principais articuladores da revogação de um decreto sobre concessão de hidrovias na Amazônia, medida que enfrentou resistência de comunidades indígenas, mas teve apoio de outros ministérios, como a Casa Civil. A negociação direta com o presidente para essa revogação evidenciou sua capacidade de articulação.

Projeção Política e Futuro de Boulos

Apesar de sua crescente influência, a participação no conselho de campanha não garante acesso automático ao círculo mais restrito de interlocutores de Lula, que inclui figuras como Fernando Haddad, Gleisi Hoffmann e Rui Costa, todos do PT. Boulos optou por permanecer no governo, e este é um período em que seu trabalho tem sido observado de perto pelo presidente. Em 2024, Lula já havia se empenhado pela candidatura de Boulos à Prefeitura de São Paulo, mas sem uma colaboração direta como a atual. A especulação sobre uma possível migração de Boulos para o PT, partido com maior estrutura para projetar candidaturas, persiste, especialmente após o PSOL recusar uma federação com o partido de Lula. Boulos também é visto como um potencial sucessor político de Lula, um cenário que exigirá sua inserção em uma fila de lideranças petistas.