Memorial da Pandemia no Rio de Janeiro é inaugurado para honrar mais de 700 mil vidas perdidas para a Covid-19 no Brasil

O Rio de Janeiro ganhou um importante ponto de reflexão e memória com a inauguração do **Memorial da Pandemia**. O espaço, localizado no recém-reaberto Centro Cultural do Ministério da Saúde (CCMS), visa homenagear as mais de 700 mil vítimas da Covid-19 em solo brasileiro.

A cerimônia de lançamento, realizada nesta terça-feira (7), também marcou a apresentação do **Memorial Digital da Pandemia**, um portal online desenvolvido em parceria com a Unicamp e a OPAS/OMS, que promete expandir o alcance dessa homenagem e registro histórico.

As iniciativas, que incluem um guia nacional para o manejo de condições pós-Covid, são vistas como passos cruciais para que o país **nunca mais repita os erros** do passado e para reforçar a defesa da ciência e da vida na saúde pública, conforme destacou o Ministro da Saúde, Alexandre Padilha. Conforme informação divulgada pelo Ministério da Saúde, o Brasil viveu uma crise sanitária e uma crise de responsabilidade pública durante a pandemia.

Duas Instalações Emocionantes Marcam o Memorial da Pandemia

O Memorial da Pandemia se destaca por suas instalações artísticas e tecnológicas. Uma delas apresenta pilastras com letreiros digitais que exibem os nomes das vítimas da Covid-19, seguidos por suas idades e cidades de origem, proporcionando um contato direto e pessoal com a dimensão da perda.

A segunda instalação, construída em alumínio naval, forma quatro silhuetas de mãos dadas. Essa obra simboliza a **união da sociedade brasileira** na luta contra a pandemia, um esforço coletivo que buscou superar os desafios impostos pela doença e por um período de grande incerteza.

Memorial Digital e Exposição Itinerante Ampliam o Alcance da Homenagem

Complementando o espaço físico, o **Memorial Digital da Pandemia** oferece um acervo online acessível a todos. Este portal servirá como base para uma exposição itinerante que percorrerá seis capitais brasileiras entre maio de 2024 e janeiro de 2027, começando em Brasília e encerrando no Rio de Janeiro.

A iniciativa busca **preservar a memória** e promover a reflexão sobre os impactos da pandemia em todo o país, garantindo que as lições aprendidas sejam levadas adiante. O Ministro da Saúde enfatizou que preservar essa memória é essencial para que o Brasil nunca mais repita esse erro.

Guia Nacional de Pós-Covid: Orientação Essencial para o SUS

Paralelamente à inauguração do memorial, o Ministério da Saúde lançou o **Guia Nacional de Manejo das Condições Pós-Covid no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS)**. Desenvolvido em parceria com a Fiocruz, o documento oferece orientações detalhadas para identificar, diagnosticar e tratar as sequelas persistentes da doença, conhecidas como **pós-covid**.

Este guia é uma referência única para o SUS e substitui normativas anteriores. Ele abrange desde as manifestações clínicas que podem surgir semanas após a infecção, mesmo em casos leves, até complicações em diversos sistemas do organismo, como cardiovascular, respiratório, neurológico e saúde mental. Protocolos diagnósticos e terapêuticos são apresentados, com atenção especial a populações vulneráveis.

Vozes das Vítimas e Familiares: Memória, Justiça e Prevenção

A criação do Memorial da Pandemia e do guia de manejo pós-Covid atende a demandas antigas de associações de vítimas e familiares, como a Avico. Paola Falceta, co-fundadora da Avico, que perdeu a mãe para a doença, ressaltou a importância dessas iniciativas.

“Algumas pessoas afetadas pela doença não querem mais ouvir falar dela, porque é algo muito doído. Porém, a gente não pode deixar de fazer essa reflexão. É uma questão de memória, de justiça, de verdade e de luta para que não se repita mais a condução irresponsável do Estado dessa emergência de saúde pública”, explicou Paola.

As ações foram celebradas por entidades que lutam pelo reconhecimento e pela memória das vítimas da Covid-19, reforçando a necessidade de **nunca esquecer** e de trabalhar para que cenários semelhantes sejam evitados no futuro, priorizando a ciência e a proteção da vida.