Mais uma prisão na investigação do ataque incendiário a ambulâncias da comunidade judaica em Londres, elevando o número de detidos para quatro. O caso é tratado como crime de ódio e premeditado contra judeus.
A polícia do Reino Unido realizou neste sábado (4) a quarta prisão relacionada ao ataque incendiário contra ambulâncias da comunidade judaica em Londres, ocorrido em março. A informação foi divulgada por um promotor durante uma audiência em tribunal na capital britânica.
Com a nova detenção, o número de suspeitos presos no caso chega a quatro. A identidade do indivíduo detido não foi revelada até o momento pelas autoridades. O episódio chocou a população e gerou forte repercussão.
O incidente ocorreu em 23 de março, quando quatro ambulâncias foram completamente destruídas por incêndios nas proximidades de uma sinagoga no bairro de Golders Green, uma área com significativa presença da comunidade judaica em Londres. A ação é investigada como um ato premeditado.
Ataque deliberado e com explosões causou pânico
De acordo com as autoridades, o incêndio provocou **explosões de cilindros** que estavam nos veículos, além de causar danos a imóveis vizinhos. Felizmente, não houve registro de feridos, mas moradores precisaram ser **evacuados por precaução** devido ao risco iminente.
Na sexta-feira (3), o Ministério Público britânico já havia anunciado que três suspeitos haviam sido formalmente acusados de envolvimento no ataque. São eles Hamza Iqbal, de 20 anos, e Rehan Khan, de 19, ambos cidadãos britânicos, e um adolescente de 17 anos com dupla nacionalidade britânica e paquistanesa.
Segundo a promotoria, os três jovens respondem por **incêndio criminoso** e por agir de forma imprudente, colocando em risco a vida de pessoas. Eles compareceram neste sábado ao Tribunal de Magistrados de Westminster, em Londres, para audiências.
Investigação conduzida por contraterrorismo e aumento do antissemitismo
Promotores destacaram que o incêndio foi um **ataque direcionado e premeditado** contra a comunidade judaica, reforçando a gravidade do crime. A investigação está sendo conduzida por agentes de contraterrorismo, embora o caso ainda não tenha sido oficialmente classificado como terrorismo pelas autoridades.
O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, classificou o episódio como um “ataque antissemita profundamente chocante” e ressaltou que o antissemitismo “não tem lugar na sociedade”. A declaração reflete a preocupação do governo com o aumento de incidentes desse tipo.
O caso ocorre em um contexto de **aumento nos registros de antissemitismo no Reino Unido** desde o início da guerra entre Israel e Hamas, no final de 2023. Segundo o Community Security Trust, organização que monitora crimes contra judeus no país, foram registradas cerca de 3.700 ocorrências em 2023, mais do que o dobro em relação a 2022, evidenciando uma escalada preocupante.