Relator da CPI do INSS afirma que relatório será técnico e imparcial, sem menção a Lula ou Bolsonaro

O relator da CPMI do INSS, Alfredo Gaspar (União Brasil-AL), declarou nesta segunda-feira (23.mar.2026) que seu relatório final terá um caráter estritamente técnico. Ele enfatizou que os nomes do ex-presidente Jair Bolsonaro e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva não serão mencionados na conclusão dos trabalhos da comissão.

Gaspar reiterou seu compromisso com a imparcialidade, baseando-se em dados oficiais e depoimentos coletados. O objetivo principal, segundo ele, é corrigir distorções históricas na Previdência Social, beneficiando o povo brasileiro.

A declaração surge em meio a um cenário de articulações políticas na comissão, com a base do governo preparando um relatório paralelo. Apesar disso, o relator mantém o foco na análise técnica dos fatos investigados.

Relatório da CPI com mais de 5.000 páginas e 228 indiciados

Até o momento, o relatório da CPMI do INSS já soma mais de 5.000 páginas e aponta para 228 indiciados. O trabalho da comissão ainda se estenderá por pelo menos mais 60 dias, o que pode aumentar o volume de páginas e o número de pessoas envolvidas.

Alfredo Gaspar explicou a jornalistas que a ausência dos nomes de Lula e Bolsonaro no relatório se deve à sua responsabilidade em apresentar um trabalho técnico, fundamentado em dados da CGU (Controladoria-Geral da União), do TCU (Tribunal de Contas da União) e em depoimentos e quebras de sigilo. “Pra mim pouco importa se foi de governo A governo B, C, D”, afirmou.

A prioridade, conforme Gaspar, é a **correção de uma dívida histórica da Previdência Social para com o povo brasileiro**. A investigação busca aprimorar o sistema previdenciário, garantindo maior justiça e eficiência.

Divergências e relatórios paralelos na comissão

A base aliada ao governo na comissão estuda a elaboração de um relatório paralelo com o intuito de contrapor as conclusões de Alfredo Gaspar. O relator é visto como um aliado de setores bolsonaristas e cogita filiar-se ao PL para disputar o Senado.

Uma das divergências centrais entre os potenciais relatórios é a participação de Fabbio Luís Lula da Silva, filho do presidente Lula, em supostos desvios. Ele é citado em investigações por sua conexão com o chamado “Careca do INSS”.

No entanto, integrantes da comissão indicam que o filho do presidente deve ficar de fora de ambos os relatórios como indiciado. Embora possa ser mencionado, a falta de provas concretas o impediria de figurar na lista de indiciados formalmente.

Foco técnico para aprimorar a Previdência Social

O relator Alfredo Gaspar reforça que o objetivo da CPMI do INSS é **aprimorar a gestão e a fiscalização** dos recursos públicos destinados à Previdência Social. A análise técnica visa identificar falhas e propor soluções concretas para os problemas estruturais do sistema.

A atuação da comissão é vista como crucial para garantir que os benefícios previdenciários cheguem a quem realmente tem direito, combatendo fraudes e otimizando o uso dos recursos. A imparcialidade na condução dos trabalhos é um pilar fundamental para a credibilidade do relatório final.

A expectativa é que, após a conclusão dos trabalhos, sejam apresentadas recomendações que possam implementar melhorias significativas no Instituto Nacional do Seguro Social, impactando positivamente a vida de milhões de brasileiros.