Erika Hilton relata conversas com SBT após declarações polêmicas de Ratinho sobre identidade de gênero

A deputada federal Erika Hilton (Psol-SP), presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher, revelou ter sido procurada pelo SBT após declarações feitas pelo apresentador Ratinho em seu programa. Na ocasião, ele afirmou que Hilton não poderia ser considerada mulher por “não ter útero”, o que gerou grande repercussão.

Segundo Hilton, houve o envio de comunicados públicos e conversas telefônicas com a emissora, além de contatos através de sua assessoria. A deputada considera que esses diálogos permanecem “no âmbito dos bastidores”, conforme declarou em entrevista ao jornalista Paulo Cappelli, divulgada nesta quinta-feira (19).

O caso ganhou contornos mais sérios com a deputada anunciando a adoção de “todas as medidas judiciais cabíveis” contra Ratinho. Ela também solicitou providências ao SBT, esperando uma resposta “mais contundente” da emissora, incluindo uma retratação pública. A fala de Ratinho foi classificada por Hilton como ofensiva e extrapolando a crítica política, atingindo não apenas pessoas trans, mas também mulheres cisgênero sem útero.

Linha do tempo do caso: eleições, declarações e repúdio

A polêmica se desenrolou em março de 2026. Em 11 de março, Erika Hilton foi eleita presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher. No mesmo dia, Ratinho declarou que Hilton “não é mulher, é trans”. No dia seguinte, 12 de março, o SBT divulgou uma nota de repúdio às declarações de seu apresentador.

Contudo, em 16 de março, Ratinho voltou a abordar o assunto, afirmando que não se arrependia de suas falas e que não mudaria de opinião. Essa postura do apresentador intensificou o debate e as ações em relação ao caso.

Ministério Público e Comunicações analisam caso de transfobia

A eleição de Erika Hilton para a presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher já havia sido alvo de críticas da oposição. Após as falas de Ratinho, o Ministério Público Federal (MPF) acionou o apresentador e o SBT por suposta transfobia. O Ministério das Comunicações também está analisando o caso.

Apesar de o SBT ter emitido nota de repúdio e pedido desculpas à congressista, Ratinho manteve sua posição. No Congresso, enquanto governistas defenderam Erika Hilton, a oposição apresentou representações na Câmara e no Conselho de Ética contra a sua eleição, criticando sua atuação e a pauta do colegiado.

Erika Hilton se sentiu “agredida” e “violentada” pelas falas

Erika Hilton expressou o impacto pessoal das declarações de Ratinho, afirmando que se sentiu “agredida”, “violentada” e “ridicularizada”. Para a deputada, as falas ultrapassam o debate político e atingem a dignidade de pessoas trans e cisgênero. A deputada espera uma resolução que reconheça a gravidade do episódio.

O caso levanta discussões importantes sobre liberdade de expressão, respeito à identidade de gênero e o papel da mídia na disseminação de discursos de ódio. A busca por uma retratação pública e as medidas judiciais indicam a seriedade com que a deputada e órgãos competentes tratam o ocorrido.