EUA enfrentam aumento do risco de terrorismo doméstico em meio a tensões com o Irã e enfraquecimento da segurança interna.
Ataques recentes e planos frustrados nos Estados Unidos intensificam os temores de terrorismo, especialmente em um cenário de guerra com o Irã. Simultaneamente, demissões e saídas de pessoal no FBI e no Departamento de Justiça dos EUA levantam sérias dúvidas sobre a capacidade do país em prevenir tais ameaças.
Na última semana, três incidentes distintos evidenciaram a crescente vulnerabilidade. Em Nova York, indivíduos inspirados pelo Estado Islâmico foram detidos com bombas caseiras. Em Michigan, um homem atacou uma sinagoga com seu veículo. Na Virgínia, um indivíduo com histórico de terrorismo abriu fogo em uma sala de aula universitária.
Esses eventos ocorrem em um momento crítico, com a guerra entre os EUA e o Irã e a pressão sobre o sistema antiterrorismo americano devido à saída de profissionais experientes. A perda de conhecimento institucional e de relações com fontes pode comprometer a segurança nacional, conforme alertam ex-autoridades.
Perda de Experiência no Combate ao Terrorismo
A saída de profissionais qualificados do FBI e do Departamento de Justiça tem sido um ponto de grande preocupação. Frank Montoya, ex-alto funcionário do FBI, destacou que “tanta experiência foi dizimada das fileiras”, deixando profissionais menos experientes “começando muito atrás” na prevenção de ameaças.
O FBI, em comunicado, afirmou que “agentes e funcionários são profissionais dedicados que trabalham 24 horas por dia para defender o país e combater crimes violentos”. A agência assegura que “avalia continuamente e realinha seus recursos para garantir a segurança do povo americano”, mas não comentou números específicos de pessoal.
A Divisão de Segurança Nacional do Departamento de Justiça, criada em 2006, também tem enfrentado rotatividade. Estima-se que cerca de metade dos promotores antiterrorismo deixou o cargo desde o início do governo Trump, impactando setores dedicados à acusação de terroristas e à captura de espiões.
A Ameaça Iraniana e Ataques de Lobos Solitários
O Irã prometeu vingança pela morte de seu líder supremo, Ali Khamenei, e historicamente declarou sua intenção de realizar ataques em solo americano. Um empresário paquistanês foi condenado recentemente por tentar contratar assassinos para tramas contra figuras públicas, incluindo o ex-presidente Donald Trump, agindo a mando de um contato na Guarda Revolucionária do Irã.
Embora a capacidade do Irã de organizar um grande atentado em território americano seja incerta, o FBI alertou sobre a aspiração de ataques com drones contra a Califórnia, embora sem confirmação de planos específicos. A guerra com o Irã pode funcionar como um “acelerador” para ressentimentos já existentes em indivíduos radicalizados.
A dificuldade em prevenir ataques de “lobos solitários”, indivíduos radicalizados pela internet, é um desafio persistente. Esses ataques, como os ocorridos em Chattanooga e Orlando, demonstram a letalidade de ações autônomas, que são notoriamente difíceis de antecipar e impedir, mesmo em períodos sem turbulências internas nas agências de segurança.
Redirecionamento de Recursos e Impacto na Segurança
A saída de profissionais experientes no campo da segurança nacional, onde o desenvolvimento de fontes e o conhecimento institucional são cruciais, pode ser devastadora. A perda de relações com comunidades e a falta de transição adequada para novos agentes comprometem a eficácia da inteligência e contrainteligência.
O redirecionamento de recursos e pessoal no último ano para atender outras prioridades do governo Trump também contribuiu para as preocupações. A recente demissão de dezenas de agentes pelo diretor do FBI, Kash Patel, incluindo aqueles envolvidos na investigação de documentos classificados de Trump, agrava o cenário.
Matthew Olsen, que liderou a Divisão de Segurança Nacional durante o governo de Joe Biden, afirmou que as agências “não são tão capazes quanto eram um ano e meio atrás”, com a perda dos agentes e promotores mais experientes no combate à ameaça iraniana.
Contexto Internacional e Vigilância Constante
Preocupações com terrorismo tendem a aumentar durante períodos de conflito internacional. Operações militares no exterior são acompanhadas de maior vigilância interna, com contatos mais frequentes de agentes com suas fontes e maior compartilhamento de informações entre agências federais e locais.
Autoridades indicam que os recentes incidentes não foram explicitamente motivados pela guerra com o Irã, com exceção do ataque à sinagoga em Michigan, cujo autor perdeu familiares em um ataque aéreo israelense. No entanto, conflitos internacionais podem exacerbar tensões existentes.
O objetivo principal em tais períodos é manter uma ampla consciência de como eventos internacionais se traduzem em riscos de segurança interna, permitindo a identificação e interrupção precoce de ameaças. O Departamento de Justiça reitera que “não há ameaças conhecidas ou confiáveis ao território dos EUA”, mas a vigilância e a capacidade de resposta permanecem cruciais.