Guerra no Oriente Médio eleva preço do petróleo e pode custar caro a Donald Trump nas urnas de novembro

A escalada do conflito entre os Estados Unidos e o Irã tem provocado uma forte alta nos preços do petróleo, impactando diretamente o bolso dos americanos e gerando preocupações para o presidente Donald Trump. Com as eleições legislativas de meio de mandato se aproximando em novembro, o aumento nos custos de energia pode se tornar um fator decisivo para o eleitorado.

O barril de petróleo atingiu valores expressivos, chegando a US$ 120, o maior patamar desde 2022, e embora tenha recuado, permanece em níveis elevados. Essa volatilidade no mercado internacional, diretamente ligada à tensão geopolítica, reflete-se nos preços da gasolina e do diesel nos EUA, gerando um efeito cascata em diversos produtos e serviços.

A situação é monitorada de perto pela Casa Branca, que busca formas de mitigar os efeitos da alta no custo de vida. Conforme informações divulgadas pelo g1, a persistência do conflito e a incerteza sobre seu desfecho podem ampliar a insatisfação popular, influenciando o resultado das eleições que definirão a composição do Congresso.

Impacto no dia a dia do americano e nas urnas

A alta nos preços dos combustíveis é uma preocupação real para a maioria dos americanos. Uma pesquisa Ipsos/Reuters revelou que 67% dos entrevistados acreditam que os preços da gasolina subirão no próximo ano em decorrência da guerra. Além disso, a percepção é de que as ações militares dos EUA contra o Irã devem se prolongar, alimentando o cenário de instabilidade.

Denilde Holzhacker, professora de relações internacionais da ESPM, aponta que o humor do eleitorado, já com certo descontentamento em relação a Trump, tende a piorar. O petróleo mais caro significa, na prática, um aumento nos custos para as famílias, comprimindo a renda disponível, especialmente para os eleitores de média e baixa renda e os independentes, que são cruciais em estados-pêndulo.

Thiago de Aragão, CEO da Arko Internacional, avalia que a disparada do petróleo ocorre em um momento particularmente desfavorável para o governo Trump, que vinha tentando sustentar uma narrativa de economia forte e energia acessível. Dados da associação automobilística AAA, citados pelo Financial Times, indicam que o preço da gasolina subiu mais de 20% desde o início da guerra, atingindo o nível mais alto dos dois mandatos de Trump.

O Estreito de Ormuz e a estratégia americana

A tensão no Estreito de Ormuz, por onde passa cerca de 20% do consumo mundial de petróleo, adiciona um componente crítico à crise. O Irã ameaçou bloquear a passagem, o que provocou forte queda no tráfego de navios. Esse bloqueio, se concretizado, teria um impacto devastador nos mercados globais de energia.

Especialistas apontam que o governo americano pode ter subestimado a capacidade de resposta do Irã. O plano inicial, segundo Denilde Holzhacker, era de uma guerra rápida que levaria à queda do aiatolá. No entanto, a resistência iraniana e o uso do Estreito de Ormuz como ferramenta de pressão surpreenderam Washington.

Em resposta, Trump buscou medidas para conter a alta, como o afrouxamento temporário de sanções ao petróleo russo e a destinação de barris da Venezuela para refino nos EUA. Além disso, a Agência Internacional de Energia (AIE) anunciou a liberação de 400 milhões de barris de suas reservas de emergência, a maior da história da agência, para tentar estabilizar os preços.

Eleições de meio de mandato em jogo

As eleições de meio de mandato, conhecidas como midterms, em novembro, são cruciais para o controle do Congresso. Atualmente, os republicanos detêm a maioria, mas com margens pequenas na Câmara e no Senado. Uma perda dessas maiorias pode significar uma resistência maior no Legislativo para Trump, dificultando a aprovação de seus projetos e abrindo espaço para investigações.

Carolina Moehlecke, coordenadora do mestrado profissional em Relações Internacionais da FGV, ressalta que a situação atual é prejudicial para Trump, lembrando que a pressão sobre os preços foi um fator chave na queda de popularidade de Joe Biden em 2024. A quebra de promessas de Trump, que havia dito que evitaria conflitos externos, também pode pesar contra ele.

A avaliação geral é que a guerra no Oriente Médio e a consequente alta do petróleo adicionam um elemento de imprevisibilidade ao cenário eleitoral. O impacto no bolso do eleitor, combinado com a percepção da condução da política externa, pode ser um fator decisivo em uma disputa que se anuncia acirrada, com potencial para influenciar até mesmo o ciclo político que levará à eleição presidencial de 2028.