Mercado de petróleo reage a declarações de líderes: preços caem após otimismo sobre fim da guerra no Oriente Médio
O mercado de petróleo experimentou uma queda acentuada nesta terça-feira (10), com os preços recuando mais de 6% após terem atingido o maior valor em mais de três anos no dia anterior. A reviravolta ocorreu após declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que sinalizou um possível fim rápido para a guerra no Oriente Médio, aliviando as preocupações com interrupções no fornecimento global.
Na segunda-feira (9), o petróleo Brent havia superado a marca dos US$ 100 por barril, um patamar não visto desde meados de 2022. A alta anterior foi impulsionada por cortes de oferta da OPEP e outros produtores, além da escalada do conflito envolvendo Estados Unidos e Israel contra o Irã, que gerou temores de desabastecimento mundial.
As declarações de Trump, que indicou que a guerra estaria “praticamente concluída” e que os EUA estariam “muito à frente” do prazo previsto, foram um fator chave para a mudança de ânimo no mercado. Paralelamente, o presidente russo, Vladimir Putin, teria apresentado propostas a Trump para uma solução rápida do conflito, segundo um assessor do Kremlin, contribuindo para a diminuição das tensões. Conforme informação divulgada pelos veículos de imprensa, a queda nos preços do petróleo reflete esse otimismo momentâneo.
Queda acentuada nos contratos futuros de petróleo
Os contratos futuros do Brent crude oil registraram um recuo de US$ 6,28, ou 6,3%, estabelecendo-se em US$ 92,68 por barril. Paralelamente, o petróleo West Texas Intermediate (WTI), referência nos Estados Unidos, caiu US$ 6,19, ou 6,5%, fechando em US$ 88,58 por barril. Mais cedo, ambos os contratos chegaram a registrar quedas de até 11%, antes de recuperarem parte das perdas iniciais.
Analistas cautelosos com a volatilidade do mercado de petróleo
Apesar da queda significativa, alguns analistas alertam para a possibilidade de uma reação exagerada do mercado. Suvro Sarkar, líder da equipe de energia do DBS Bank, comentou que, embora os comentários de Trump tenham acalmado os mercados, pode haver um movimento exagerado de queda. Ele ressalta que preços de referência como o Murban e o Dubai ainda permanecem acima de US$ 100 por barril, indicando que os fundamentos de oferta e demanda podem não ter mudado drasticamente.
“Claramente, os comentários de Trump sobre uma guerra de curta duração acalmaram os mercados. Embora tenha havido uma reação exagerada de alta ontem, vemos agora um movimento exagerado de queda”, disse Sarkar. Ele acrescentou que o mercado pode estar subestimando os riscos para o Brent nesses níveis de preço, pois “praticamente nada mudou em termos de fundamentos”.
Irã faz ameaças e EUA consideram medidas para conter alta do petróleo
Em resposta à escalada das tensões e às declarações de Trump, o Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica do Irã afirmou que “determinará o fim da guerra” e que Teerã não permitirá a exportação de “um litro de petróleo” da região caso os ataques dos Estados Unidos e de Israel continuem. Essa declaração foi divulgada pela mídia estatal iraniana nesta terça-feira.
Mesmo diante das ameaças, os preços do petróleo seguem pressionados. Relatos indicam que Trump avalia a possibilidade de aliviar sanções contra a Rússia e liberar estoques emergenciais de petróleo como parte de um pacote de medidas para conter a alta dos preços globais. Fontes ouvidas pela agência de notícias informaram sobre essas discussões.
Priyanka Sachdeva, analista da Phillip Nova, destacou que as discussões sobre flexibilizar sanções ao petróleo russo, os comentários de Trump e a possibilidade de os países do G7 recorrerem às reservas estratégicas enviam uma mensagem clara de que mais petróleo deve chegar ao mercado. Os países do Group of Seven (G7) já haviam afirmado na segunda-feira que estão preparados para adotar “as medidas necessárias” para lidar com a alta dos preços globais do petróleo.