Diretor da Unafisco critica investigação do STF contra auditor fiscal: “foi um falso positivo”
O diretor da Unafisco, Kleber Cabral, classificou como um “falso positivo” a investigação conduzida pelo Supremo Tribunal Federal (STF) contra o auditor fiscal da Receita Federal, Ricardo Mansano de Moraes. O caso envolve a quebra de sigilo fiscal de ministros do STF e familiares, autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes.
Segundo Cabral, em declarações ao site Metrópoles, o auditor teria sido alvo de uma solicitação de verificação de movimentações suspeitas sem que a Receita Federal recebesse detalhes precisos sobre os dados que motivaram a desconfiança. A ação, para a Unafisco, se mostrou desproporcional.
A investigação faz parte do inquérito das chamadas fake news, iniciado em 2019 e ainda em andamento sob sigilo. A Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia, atingindo quatro servidores públicos do Fisco.
Medidas severas contra auditor fiscal: sigilos quebrados e restrições de liberdade
O auditor Ricardo Mansano de Moraes, que antes de ser afastado atuava em São José do Rio Preto e possuía o maior salário entre os investigados, com cerca de R$ 51.000 em dezembro de 2025, teve seus sigilos bancário, fiscal e telemático quebrados por decisão de Alexandre de Moraes. Além disso, ele está proibido de deixar sua cidade, cumpre recolhimento domiciliar noturno e aos finais de semana, teve o passaporte apreendido e passou a usar tornozeleira eletrônica.
Kleber Cabral, da Unafisco, considerou essas medidas excessivas para alguém sem antecedentes criminais. “Uma pessoa que nunca teve processo nenhum, de repente receber a PF em casa às 6h e se ver usando uma tornozeleira é desproporcional”, afirmou o diretor.
União dos Auditores Fiscais questiona motivação e procedimento
O diretor da Unafisco explicou que, em sua visão, a ação do auditor Ricardo Mansano de Moraes foi motivada por uma busca pessoal. “Ele acessou, não devia ter acessado, mas foi olhar se uma pessoa conhecida era ex-esposa de um amigo, porque tinham o mesmo sobrenome”, disse Cabral, ressaltando que a consulta foi feita em 2008, período em que o casal esteve junto.
Cabral comparou a situação com um caso envolvendo o senador Flávio Bolsonaro, que teria procurado a Receita Federal para apurar vazamentos. Segundo o diretor da Unafisco, o procedimento correto seria uma apuração administrativa interna para identificar o que foi vazado, e não uma investigação direta com medidas drásticas como as impostas a Mansano de Moraes.
Outros servidores públicos também são alvos da investigação do STF
Além de Ricardo Mansano de Moraes, outros três servidores públicos foram alvo da operação autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes. São eles Ruth Machado dos Santos e Luciano Pery Santos Nascimento, ambos técnicos do Seguro Social, e Luiz Antônio Martins Nunes, funcionário do Serpro (Serviço Federal de Processamento de Dados).
A Unafisco reitera a crítica quanto à forma como a investigação foi conduzida, apontando para a possibilidade de um “falso positivo” e a desproporcionalidade das medidas aplicadas ao auditor fiscal da Receita Federal.