Banco do Brasil divulga balanço com lucro líquido ajustado de R$ 20,68 bilhões em 2025, uma queda significativa impulsionada por fatores macroeconômicos e novas regulamentações.

O Banco do Brasil apresentou seu balanço financeiro referente ao ano de 2025, registrando um lucro líquido ajustado de R$ 20,685 bilhões. Este valor representa uma expressiva queda de 45,4% em comparação com o desempenho do ano anterior.

A instituição financeira atribui essa retração principalmente à adoção de novas regras contábeis, que entraram em vigor no início de 2025, e ao cenário de aumento da inadimplência, que afetou diretamente os resultados.

Apesar dos desafios, o Banco do Brasil demonstra otimismo para o futuro, com projeções de recuperação para 2026. Acompanhe os detalhes e as projeções para o próximo ano.

Impacto das Novas Regras Contábeis e Inadimplência

A entrada em vigor, em janeiro de 2025, de uma resolução do Conselho Monetário Nacional (CMN) alterou significativamente a forma como as instituições financeiras realizam suas provisões. As novas regras, aprovadas em 2021, mudaram o modelo de cálculo de perdas esperadas, impactando o reconhecimento de algumas receitas e despesas. Com isso, o banco deixou de reconhecer cerca de R$ 1 bilhão em receitas de crédito.

Paralelamente, o índice de inadimplência, medido por atrasos superiores a 90 dias, apresentou elevação. O indicador saltou de 3,16% em dezembro de 2024 para 5,17% ao final de 2025. Este aumento foi particularmente sentido nos segmentos de agronegócio, onde o BB tem forte atuação, e na carteira de cartões de crédito.

A inadimplência na carteira de crédito do agronegócio fechou o ano em 6,09%, com um aumento de 1,25 ponto percentual no último trimestre de 2025. Para pessoas físicas, o índice de inadimplência encerrou o período em 6,56%, representando uma elevação de 0,55 ponto percentual.

Crescimento da Carteira de Crédito e Desempenho por Segmento

Apesar do cenário desafiador, o crédito do Banco do Brasil expandiu em 2025, impulsionado principalmente pelas operações com pessoas físicas. A carteira de crédito ampliada alcançou R$ 1,296 trilhão, com alta de 1,4% no trimestre e 2,5% no ano.

Por segmento, o crédito a Pessoa Física atingiu R$ 356,96 bilhões, crescendo 1,8% no trimestre e 7,6% em um ano. Destaque para o crédito consignado para trabalhadores da iniciativa privada, que movimentou R$ 14,3 bilhões. Já a carteira de Pessoa Jurídica somou R$ 455,15 bilhões, com alta de 0,5% no trimestre e 0,6% no ano. Para micro, pequenas e médias empresas, houve um recuo de 7,9%.

O Agronegócio registrou R$ 406,13 bilhões em crédito, com crescimento de 1,8% no trimestre e 2,1% no ano. Nos primeiros seis meses do Plano Safra 2025/2026, o BB desembolsou R$ 103,9 bilhões para o setor. A Carteira de Crédito Sustentável atingiu R$ 415,1 bilhões, com alta de 7,3% em 12 meses, representando 32% do crédito total do banco.

Receitas de Serviços e Despesas Administrativas

As receitas de prestação de serviços do Banco do Brasil totalizaram R$ 34,813 bilhões em 2025, uma queda de 1,9% em relação ao ano anterior. A redução foi parcialmente compensada pelo aumento nas receitas com administração de fundos (+13,5%), taxas de administração de consórcios (+19,3%) e rendas do mercado de capitais (+7,9%).

As despesas administrativas, por sua vez, subiram 5,1% em 2025, totalizando R$ 34,813 bilhões. O aumento foi justificado pelo reajuste salarial e pelos investimentos em tecnologia e cibersegurança, essenciais para a operação do banco.

Projeções do Banco do Brasil para 2026

Olhando para frente, o Banco do Brasil projeta uma recuperação em seus resultados em 2026. O lucro líquido ajustado esperado para o ano está na faixa de R$ 22 bilhões a R$ 26 bilhões.

A projeção para o crescimento da carteira de crédito varia entre 0,5% e 4,5%, com expectativas de alta de 6% a 10% para pessoas físicas, e quedas ou estabilidade para agronegócio e empresas. As receitas de prestação de serviços devem crescer entre 2% e 6%, enquanto as despesas administrativas podem aumentar de 5% a 9%.

O custo do crédito, que inclui perdas esperadas com inadimplência, está projetado entre R$ 53 bilhões e R$ 58 bilhões. A presidente do Banco do Brasil, Tarciana Medeiros, expressou confiança na adaptação da instituição e na retomada dos patamares de rentabilidade, citando o crescimento de 51,7% no lucro do último trimestre de 2025 em comparação com o anterior como um sinal positivo de inflexão.