Trump declara Groenlândia “vital” para “Domo de Ouro” e ameaça OTAN

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, intensificou sua campanha pela anexação da Groenlândia, território autônomo da Dinamarca. Em postagem recente, Trump afirmou que a ilha é “vital” para a construção de seu ambicioso “Domo de Ouro”, um escudo antimísseis destinado a proteger os EUA.

Ele pressionou a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) a apoiar seu desejo de anexar a Groenlândia aos Estados Unidos. Trump alfinetou a aliança militar, declarando que, sem a ilha, a OTAN “não seria uma força ou dissuasão eficaz – nem de perto! Eles sabem disso”.

A declaração de Trump surge em meio a uma série de movimentações e discursos que indicam uma forte determinação em adquirir a Groenlândia, seja por compra ou, implicitamente, por outras medidas. A Casa Branca chegou a cogitar a possibilidade de oferecer até US$ 100 mil (cerca de R$ 540 mil) para cada habitante da Groenlândia que apoiasse a anexação, conforme informações da agência Reuters.

Dinamarca reforça presença militar e mantém diálogo com aliados

Em resposta às declarações e às ambições de Trump, a Dinamarca anunciou que reforçará sua presença militar na Groenlândia. O ministro da Defesa dinamarquês, Troels Lund Poulsen, afirmou à agência de notícias AFP que haverá um foco ainda maior na OTAN, com mais exercícios e um aumento da presença da aliança no Ártico.

Poulsen declarou que a Dinamarca “continuará a fortalecer nossa presença militar na Groenlândia, mas também teremos um foco ainda maior, dentro da OTAN, em mais exercícios e em um aumento da presença da OTAN no Ártico”. A fala ocorreu antes de uma reunião entre autoridades da Groenlândia, Dinamarca e Estados Unidos na Casa Branca.

A primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, já reiterou que o país não fará nenhuma “concessão fundamental” e que a ilha “não está à venda”. Ela classificou a situação como uma “encruzilhada” para o mundo ocidental, alertando que um ataque à Groenlândia poderia significar o fim da OTAN.

Europa discute planos para proteger o Ártico diante das ameaças de Trump

Um grupo de países europeus, liderado pelo Reino Unido e pela Alemanha, está discutindo planos para reforçar sua presença militar na Groenlândia. A iniciativa visa demonstrar a Trump que a Europa leva a segurança no Ártico a sério, segundo a agência Bloomberg.

A Alemanha propõe a criação de uma missão conjunta da OTAN para proteger a região. Um porta-voz do governo alemão confirmou que a OTAN está discutindo o fortalecimento da segurança no Ártico devido à investida de Trump. A Bélgica também sinalizou a necessidade de “uma operação da OTAN no extremo norte”.

Desde a semana passada, a Europa prepara um plano de ação para o caso de Trump ordenar uma invasão militar à Groenlândia. Detalhes sobre quais países participariam, além de França e Alemanha, ainda não foram divulgados, mas a Dinamarca, como responsável pela ilha, estaria envolvida.

Trump descarta direito internacional e vê Groenlândia como estratégica

Donald Trump declarou ao jornal “The New York Times” que acredita que seus poderes como presidente dos EUA “se limitam apenas à sua própria moralidade” e que ele “não precisa” do direito internacional. Essa postura reforça a visão de especialistas sobre uma nova ordem mundial bipolar, com EUA e China expandindo territórios.

Trump justifica a necessidade de os Estados Unidos “serem donos da Groenlândia” para impedir que Rússia ou China a ocupem. Ele tem afirmado que embarcações russas e chinesas operam perto da ilha, algo que países nórdicos desmentiram. A Groenlândia é considerada estratégica no Ártico, e Trump vê a sua aquisição como algo “psicologicamente necessário para o sucesso”.

A Casa Branca afirmou que Trump discute “ativamente” com sua equipe a possibilidade de compra da Groenlândia, que tem área aproximada à do Alasca. A opção preferencial seria a diplomacia, mas o uso da força não foi descartado. O presidente da Câmara dos Representantes, Mike Johnson, disse não ter conhecimento de planos de envio de tropas, focando em canais diplomáticos.

Crise com EUA levanta preocupações sobre a coesão da OTAN

A investida de Trump para anexar a Groenlândia tem gerado temores sobre a coesão da OTAN. Especialistas avaliam que a postura do presidente americano já está impactando a aliança, fundamental para a defesa europeia desde o fim da Guerra Fria.

A OTAN, por sua vez, tem compartilhado em suas redes sociais imagens de soldados da aliança no Ártico, em um movimento que pode ser interpretado como uma demonstração de força e presença na região. Esses registros precedem um exercício militar marcado para março na área.

Enquanto a diplomacia tenta encontrar um caminho, a tensão entre os Estados Unidos e seus aliados europeus sobre o futuro da Groenlândia permanece elevada, com implicações significativas para a segurança internacional e a estabilidade da OTAN.