INSS nomeia servidora ligada a descontos ilegais para alto cargo

Em uma das primeiras decisões da nova gestão do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), a presidente Ana Cristina Silveira promoveu Michelli Manieri a coordenadora-geral de atendimento. Manieri esteve no centro de um escândalo em 2023, quando coordenou o grupo de trabalho que deu aval para acordos que permitiram descontos ilegais nos benefícios de aposentados e pensionistas.

A nomeação acontece após Manieri ter perdido um cargo de confiança na gestão anterior, justamente por seu envolvimento na polêmica dos descontos. Agora, ela assume responsabilidades ainda maiores, incluindo a gestão das agências do INSS em todo o país, a organização de mutirões e a alocação de recursos para o atendimento.

O caso envolveu a assinatura de acordos com a Ambec (Associação de Aposentados Mutualistas para Benefícios Coletivos) e a AAPB (Associação dos Aposentados e Pensionistas do Brasil). A atuação de Manieri foi criticada em relatórios paralelos da CPMI do INSS e apontada pela Polícia Federal como facilitadora de soluções para a retomada de descontos considerados irregulares.

O Papel de Michelli Manieri nos Acordos

Como coordenadora do Grupo de Trabalho, Michelli Manieri opinou favoravelmente pela assinatura dos acordos com a Ambec e a AAPB. Apesar de fragilidades apontadas em auditorias, o estudo liderado por ela concluiu pela “viabilidade técnica” das entidades. O relatório de governistas cita que a própria Ambec declarou ter capacidade operacional para cumprir o acordo.

Relatórios da Controladoria-Geral da União (CGU) e da Polícia Federal (PF) indicaram que a Ambec chegou a registrar uma média de 846 novas filiações de beneficiários por hora. Já a AAPB apresentou mais de 46 mil supostos associados sem termos de adesão assinados, mas ainda assim, o acordo recebeu manifestação favorável de técnicos do INSS, incluindo Manieri.

Análise da Polícia Federal e CGU

A Polícia Federal apontou Geovani Batista Spiecker, então servidor do INSS, como o funcionário que atuou para viabilizar a retomada dos descontos. Michelli Manieri foi citada no relatório paralelo da CPMI do INSS como a responsável por assinar estudos e notas que concluíram pela “viabilidade técnica” dessas entidades, mesmo diante de inconsistências identificadas em auditorias.

O relatório da CPMI destaca que, apesar das fragilidades, a análise técnica indicou a capacidade da Ambec de operacionalizar o acordo, baseando-se na declaração da própria entidade. A situação gerou grande repercussão e investigações sobre a legalidade dos descontos realizados.

Posição do INSS sobre as Nomeações

Em nota oficial, o INSS declarou que os servidores de carreira nomeados para os cargos passaram por verificações internas, da CGU e do governo federal. Segundo o órgão, não há registros de penalidades vigentes ou de procedimentos acusatórios em andamento contra esses servidores. Portanto, o INSS afirma que “não há qualquer impedimento ou irregularidade para a nomeação”, garantindo a legalidade das promoções realizadas.

Apesar das declarações do órgão, a promoção de Michelli Manieri levanta questionamentos sobre os critérios de seleção e a gestão de riscos dentro do INSS, especialmente após o escândalo dos descontos ilegais que afetou milhares de aposentados e pensionistas em todo o país.