Em estado de alerta máximo após a aprovação de um projeto polêmico no Senado, o governo Lula já acionou o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), na tentativa de impedir a votação da proposta que renegocia dívidas rurais. O impacto estimado da medida é de R$ 140 bilhões em uma década.

Na manhã desta quinta-feira (11/6), o ministro das Relações Institucionais, José Guimarães, ligou para Motta. Segundo relatos, ele transmitiu a insatisfação do presidente Lula, especialmente chateado com o apoio de senadores da própria base aliada ao projeto.

Guimarães também manifestou o desejo dele e dos ministros da Fazenda, Dário Durigan, e do Planejamento, Bruno Moretti, de se reunirem pessoalmente com Motta para expor argumentos contrários à votação na Câmara.

Nos bastidores, Motta tem relatado a aliados que sofre pressão tanto do governo quanto da bancada ruralista, que defende a aprovação. Apesar disso, o presidente da Casa sinaliza que não tomará decisões irresponsáveis.

Outras ameaças fiscais no radar

Além do projeto rural, outras duas “bombas fiscais” podem chegar à Câmara em breve:

  1. Piso de médicos e dentistas – Eleva o salário nacional da categoria de R3.636paraR3.636paraR 13.662 (20h semanais), com impacto estimado em R$ 47 bilhões. Aprovado terminativamente na Comissão de Assuntos Sociais (CAS) do Senado, segue direto para a Câmara se não houver recurso.
  2. PEC da aposentadoria de agentes comunitários de saúde – Aprovada na CCJ do Senado, pode gerar impacto de R$ 99 bilhões em dez anos.