Festival de Parintins 2026: Compositores de hits revelam a alma das toadas que embalam as galeras do Caprichoso e Garantido

A poucos dias do Festival Folclórico de Parintins 2026, as toadas “Perrecheiro”, do Boi Garantido, e “Brinquedo Que Canta Seu Chão”, do Boi Caprichoso, já se consolidam como os grandes sucessos da temporada. Essas canções, que misturam a cadência tradicional com letras que exaltam o sentimento de pertencimento, dominam os ensaios e as redes sociais, dividindo paixões na Ilha Tupinambarana.

Ao g1, os compositores Adriano Aguiar e Bruno Bulcão abriram os bastidores da criação dessas melodias que prometem ecoar no Bumbódromo. Eles compartilharam as inspirações, os dilemas criativos e a emoção de ver suas obras ganharem vida e se tornarem hinos para milhares de torcedores.

Conforme informação divulgada pelo g1, a rivalidade centenária entre os bois-bumbás é celebrada anualmente com o Festival Folclórico de Parintins, considerado um dos maiores patrimônios culturais do Brasil. Em 2026, a festa acontece nos dias 26, 27 e 28 de junho, e as toadas “hits” são parte fundamental dessa celebração.

A magia de “Brinquedo Que Canta Seu Chão”: Memórias e a essência do Caprichoso

Adriano Aguiar, autor da toada-tema do Boi Caprichoso para 2026, revela que a inspiração para “Brinquedo Que Canta Seu Chão” veio de suas próprias memórias de infância e da relação de suas filhas com o boi azul e branco. O desafio foi, segundo ele, equilibrar o gigantismo do espetáculo com a simplicidade do boi de rua, onde o carinho do torcedor é o que mais importa.

“Nela estão expressas as minhas vivências da infância e também os momentos entre mim, minhas filhas e o boi. Mesmo sob o gigantismo do espetáculo, a maior magia segue sendo quando o boi se aproxima da gente e nos deixa fazer carinho”, explicou Aguiar.

Para alinhar a composição ao projeto do Caprichoso, Aguiar optou por um arranjo mais tradicional, o “boizão”, com uma execução direta e sem excessos. Ele ressalta a capacidade do Caprichoso de transitar entre a tradição e a ousadia, muitas vezes sendo “injustiçado” por estar à frente do seu tempo.

“Ver a arquibancada toda cantando algo que nasceu no silêncio de um quintal, entre um violão, papel e caneta, é magnífico. É como um jogador que faz o gol do título em uma final”, comparou o compositor, destacando o poder transformador do boi que faz o adulto se tornar criança.

“Perrecheiro”: A voz do povo e a paixão sem limites do Garantido

Do lado do Boi Garantido, Bruno Bulcão explica que “Perrecheiro” nasceu do desejo de dar voz à essência mais pura do torcedor encarnado. Com sua história familiar entrelaçada ao boi da Baixa do São José, ele afirma ser impossível retratar a agremiação sem passar pelo sentimento das ruas.

“Perrecheiro é uma toada expressada pela voz do povo, de compositores que, acima de tudo, vieram do meio do povo. O Garantido é formado por todo esse sentimento. A paixão de ser Garantido vai além de uma delimitação, e a toada retrata justamente a loucura de poder ser Garantido”, destacou Bulcão.

O desafio técnico de inovar mantendo o compasso tradicional do boi vermelho e branco, segundo Bulcão, estava justamente em manter a pureza das obras clássicas. “Fazer o simples é sempre um desafio. Mas ‘Perrecheiro’ já nasceu com a intenção de ser como as irmãs dela. Não existe uma fórmula mágica para compor, o momento define o rumo da toada”, explicou.

Bulcão expressa orgulho ao ver a composição cumprindo seu papel social e cultural antes mesmo do espetáculo no Bumbódromo, e ressalta a força da ancestralidade em sua relação com o Boi Garantido, projetando na obra o legado deixado por gerações de sua família.

O poder das toadas no Festival de Parintins

As toadas “hits” de Parintins transcendem a mera disputa na arena, tornando-se verdadeiros hinos que unem e mobilizam as torcidas. Elas carregam consigo histórias, memórias afetivas e a identidade de cada boi-bumbá, elementos essenciais para a grandiosidade do festival.

Tanto Adriano Aguiar quanto Bruno Bulcão celebram a oportunidade de contribuir para o rico folclore amazônico, criando canções que perpetuam a paixão e a cultura do Festival de Parintins para as futuras gerações, mostrando que a magia do boi vive tanto no espetáculo quanto na voz do povo.