Conselho Regional de Medicina do Amazonas (Creman) avança na apuração de falhas médicas no caso Benício
O Conselho Regional de Medicina do Amazonas (Creman) concluiu a sindicância referente ao atendimento de Benício Xavier, de 6 anos, e identificou indícios de irregularidades e falhas médicas. Com essa decisão, os profissionais envolvidos na assistência à criança passarão a responder a processos ético-profissionais. A decisão do Creman cabe recurso.
Benício faleceu em 23 de novembro, após ter recebido adrenalina na veia durante um atendimento hospitalar. A investigação aponta que a via e a dosagem prescritas para o menino não eram adequadas para o seu quadro clínico. Após a aplicação, a criança sofreu múltiplas paradas cardíacas e não resistiu.
A informação sobre a conclusão da sindicância foi divulgada pela defesa da família de Benício. O g1 buscou contato com o Creman, que informou que o procedimento tramita sob sigilo processual e que está legalmente impedido de divulgar detalhes sobre o mérito dos fatos em apuração. Conforme apurado, a sindicância apontou possíveis infrações éticas.
Profissionais investigados incluem coordenação e diretoria clínica
Segundo o advogado Ricardo Albuquerque, que representa a família de Benício Xavier, a sindicância indicou possíveis infrações éticas cometidas por profissionais que atuaram tanto no pronto-socorro quanto na Unidade de Terapia Intensiva (UTI). A abertura de processos se estende a profissionais ligados à coordenação da pediatria e à diretoria clínica do hospital.
Albuquerque ressaltou que a conclusão da sindicância não configura uma condenação, mas sim o reconhecimento de que existem elementos suficientes para a instauração dos processos éticos. Para a defesa da família, este resultado reforça os questionamentos levantados desde o início das investigações sobre o atendimento prestado.
Pai de Benício cobra imparcialidade e rigor na apuração
Bruno Xavier, pai de Benício, expressou o desejo de que o Creman conduza o caso com imparcialidade e rigor. Ele informou que sete médicos serão investigados internamente pelo órgão. Bruno afirmou que a família espera punições severas aos responsáveis, caso as irregularidades sejam comprovadas.
“A gente quer, no mínimo, dois culpados à cassação. É isso que a gente busca e espera que, pelo Benício, eles mostrem para a sociedade que não são corporativistas, que prezam pela verdade e pelo julgamento certo”, declarou Bruno Xavier. A família deposita confiança no trabalho do conselho e aguarda a conclusão dos processos ético-profissionais.
Detalhes do atendimento que levaram à morte de Benício
Segundo o pai, Benício foi levado ao hospital com tosse seca e suspeita de laringite. A médica prescreveu lavagem nasal, soro, xarope e, crucialmente, três doses de adrenalina intravenosa, a cada 30 minutos. A família chegou a questionar a prescrição com a técnica de enfermagem.
Logo após a primeira aplicação de adrenalina, Benício apresentou uma piora súbita. A equipe médica o levou para a sala vermelha, onde o quadro se agravou. A oxigenação caiu para cerca de 75%, e uma segunda médica foi chamada para iniciar o monitoramento cardíaco. Pouco depois, um leito de UTI foi solicitado.
Na UTI, o quadro de Benício continuou a piorar. A equipe informou que seria necessária a intubação, realizada por volta das 23h. Durante o procedimento, o menino sofreu as primeiras paradas cardíacas. O pai relatou que ocorreu sangramento porque a criança vomitou durante a intubação.
Após as primeiras paradas, o estado de Benício permaneceu instável, com oscilações rápidas na oxigenação. Minutos depois, o menino apresentou nova piora e não respondeu às manobras de reanimação. Benício faleceu às 2h55 do domingo. Em nota, o Hospital Santa Júlia informou que uma médica e uma técnica de enfermagem foram afastadas de suas funções e que uma investigação interna foi realizada pela Comissão de Óbito e Segurança do Paciente.