Militares venezuelanos são libertados após quase uma década presos por conspiração contra Maduro
Oito militares venezuelanos, que passaram mais de nove anos detidos sob acusação de conspirar contra o governo de Nicolás Maduro, foram libertados nesta terça-feira (26). A soltura, que ocorreu após o cumprimento de pena, marca um novo capítulo para os envolvidos no chamado “Caso Paraquedistas”, de 2017.
Entre os libertados está o general Ramón Lozada, que apesar de deixar a prisão em cadeira de rodas, fez um gesto simbólico de patriotismo ao se levantar para colocar a bandeira da Venezuela sobre o peito. A saída dos militares foi celebrada por familiares e apoiadores, conforme imagens divulgadas pela ONG Foro Penal.
A liberação desses militares ocorre em um contexto de novas medidas do governo interino de Delcy Rodríguez, que tem promovido a soltura de presos políticos. A medida se alinha à lei de anistia assinada pelo governo interino, que já beneficiou um número considerável de pessoas desde fevereiro, embora muitas ainda respondessem a processos judiciais sem estarem presas.
O “Caso Paraquedistas” e o Legado de Hugo Chávez
O grupo libertado em 26 de março de 2024 incluía o general Raúl Isaías Baduel, que foi um ex-aliado de Hugo Chávez e faleceu na prisão em 2021. A informação foi confirmada por Gonzalo Himiob, vice-presidente da Foro Penal, que ressaltou o cumprimento integral da pena pelos militares. Ele também mencionou que o grupo permaneceu detido por mais de nove anos.
A Luta Continua por Josnars Baduel
Apesar da soltura de outros militares, a família do general Baduel ainda busca a liberdade de seu filho, Josnars Baduel, que está detido desde 2020. As filhas de Raúl Isaías Baduel, Andreína e Margareth, continuam ativamente reivindicando a libertação do irmão, evidenciando que a questão dos presos políticos na Venezuela ainda é um desafio complexo.
Anistia e o Panorama dos Presos Políticos na Venezuela
A lei de anistia assinada pelo governo interino tem sido o principal instrumento para essas libertações. Desde fevereiro, cerca de 8.000 pessoas foram beneficiadas pela lei, embora a maioria não estivesse em regime fechado. A Foro Penal reportou a soltura de quase 800 presos políticos desde janeiro.
Contudo, a organização aponta que a Venezuela ainda registra 409 pessoas presas politicamente. Este dado sublinha que, apesar dos avanços, a situação dos direitos humanos e a liberdade de expressão continuam sendo pontos de atenção e um dos principais desafios para o país, com a comunidade internacional monitorando de perto esses desdobramentos.