Prefeito de Manaus, David Almeida, é acusado de distorcer dados de pesquisas eleitorais em vídeo

Em um vídeo divulgado em suas redes sociais, o prefeito de Manaus, David Almeida (Avante), tentou descreditar institutos de pesquisa eleitoral, afirmando que eles “erraram feio” em suas projeções. A publicação, feita em maio de 2026, quase dois anos após sua reeleição, busca criar uma narrativa de que o prefeito teria sido vítima de um sistema de pesquisas.

No entanto, uma análise dos dados públicos e das metodologias utilizadas pelas pesquisas revela uma estratégia de **manipulação de informações** por parte de Almeida. O prefeito teria selecionado apenas partes de relatórios e misturado diferentes bases de cálculo para construir sua tese, o que, segundo reportagem, desmente sua versão.

A reportagem aponta que a apresentação de David Almeida omite dados cruciais e aplica uma matemática peculiar para inflar a diferença entre as projeções e o resultado oficial. Essa tática, segundo a análise, visa criar uma percepção equivocada sobre a precisão dos institutos de pesquisa e fortalecer a imagem do prefeito.

Omissão Seletiva de Dados nas Pesquisas

Um dos primeiros truques de David Almeida na sua argumentação é a **seleção conveniente de dados**. O vídeo apresentado pelo prefeito ignora versões de pesquisas que já apontavam sua liderança na reta final da eleição. Por exemplo, a pesquisa da AtlasIntel, em sua segunda rodada realizada em 15 de outubro, já mostrava Almeida à frente, mas essa informação foi convenientemente omitida.

O mesmo ocorreu com os dados do instituto Action. Uma de suas últimas pesquisas, divulgada em 21 de outubro, véspera do pleito, cravou Almeida com 53% e seu adversário com 47%. A diferença para o resultado oficial foi de apenas 1,59 ponto percentual, um **acerto notável** dentro da margem de erro. Contudo, essa pesquisa, que contradiz a tese de “vítima do sistema”, também foi ignorada no vídeo.

A Matemática Criativa de David Almeida

A segunda manipulação identificada na apresentação do prefeito envolve a **soma das porcentagens das pesquisas**. No quadro de Almeida, os levantamentos da AtlasIntel somavam 97,5% e do Veritá, 95,3%. Em contraste, os resultados do Action e do TSE somavam exatos 100%.

Essa discrepância, segundo especialistas, ocorre porque pesquisas que somam menos de 100% incluem votos brancos, nulos e eleitores indecisos. Já as que somam 100% consideram apenas os votos válidos, métrica oficial utilizada pelo TSE. Ao misturar essas duas bases de cálculo, David Almeida **infla artificialmente a distância** entre as projeções e o resultado real.

Quando os dados da AtlasIntel e do Veritá são ajustados para a base de votos válidos, o suposto erro colossal das pesquisas se reduz a uma margem entre 1,2 e 2,3 pontos percentuais. A realidade, conforme a análise, é que os institutos registraram com precisão o **crescimento contínuo de David Almeida** na reta final, com a média das últimas pesquisas já apontando sua vitória com 51,21%.

O Timing da Narrativa e a Rejeição Eleitoral

A publicação do vídeo, mais de um ano e meio após a eleição municipal, levanta questionamentos sobre o **timing da narrativa** criada por David Almeida. O vídeo surge em um ano de eleições gerais para o Governo do Estado e o Senado, período em que o prefeito, segundo algumas sondagens, lidera índices de rejeição.

A estratégia de desacreditar os institutos de pesquisa, portanto, pode ser vista como uma tentativa de desviar o foco de sua própria popularidade em declínio. No entanto, a matemática é implacável e os dados oficiais do TSE estão disponíveis, **blindados contra edições de vídeo** e distorções de narrativa.